Ponto I. ― Atado como malfeitor, entra Nosso Salvador em Jerusalém, onde poucos dias antes entrara entre aclamações, honras e louvores. Passa pelas ruas de noite, entre lanternas e fachos, e era tão grande o ruído e alvoroço do povo que O seguia, que qualquer um poderia imaginar facilmente que levavam um famoso malfeitor. Saíram as pessoas às janelas e perguntavam: quem é o preso? e respondiam: É Jesus Nazareno, do qual se descobriu agora que é um enganador, um impostor, um falso profeta e digno de morte.
(…)
Ponto II. ― Olha, minha alma, como o Redentor é levado como em triunfo a Caifás, que O esperava velando, e se alegrou extraordinariamente quando O viu em sua presença só e abandonado dos seus. Olha a teu doce Senhor, que, preso como um réu, e com os olhos baixos, humilde e manso, está diante daquele pontífice. Olha aquele rosto belíssimo, que em meio de tantos desprezos e injúrias não perdeu sua natural serenidade e doçura. Ah! meu Jesus! agora que eu Vos contemplo rodeado, não de Anjos que Vos louvam, senão dessa populaça vil que Vos odeia e despreza, que farei eu? Ajuntar-me-ei porventura a eles para desprezar-Vos também, como fiz na minha vida passada? Ah! não, meu Jesus, nos anos de vida que ainda me restarem quero estimar-Vos e amar-Vos como Vós mereceis; eu Vos prometo seriamente que hei de amar apenas a Vós, e não pretenderei ser amado por ninguém senão por Vós. Dir-Vos-ei com Santa Inês: Não admitirei outro amor que a Vós: Vós sereis meu único amor, meu bem, meu tudo, meu Deus e todas as minhas coisas.
A meditação “Jesus é apresentado ao Pontífice” faz parte do capítulo “Reflexões e afetos devotos sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, presente na subseção “Meditações para cada dia do mês” do devocionário Caminho Reto e Seguro para chegar ao Céu, de Santo Antônio Maria Claret, disponível em nossa loja.
Prezados leitores, a devoção à Sagrada Face de Nosso Senhor Jesus é, sem dúvida, uma das mais eficazes para nos fazer meditar as dores e sofrimentos de nosso Divino Redentor em sua Paixão e Morte. São muitos os frutos que podemos haurir da contemplação do Rosto Sagrado de nosso Divino Salvador. Tal verdade encontra-se relatada, por exemplo, em uma cena das Escrituras.
O Evangelho nos recorda que, no momento em que Jesus foi conduzido à casa de Anás para ser interrogado, Pedro o seguia e o observava de longe. Após ser perguntado três vezes se conhecia Jesus e se era seu discípulo, negou-o igualmente três vezes. Nesse momento, diz o evangelista: “Voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então, Pedro se lembrou da palavra do Senhor… saiu dali e chorou amargamente.”
Vejamos como o olhar de Nosso Senhor ao Apóstolo foi suficiente para levá-lo ao arrependimento e à contrição do coração. Ainda em meio ao sofrimento físico e moral a que foi submetido, seu olhar foi ao encontro de Pedro e sua Face tornou-se o remédio salutar que o levou a perceber quão terrível havia sido o seu pecado, mas, apesar disso, maior era a misericórdia de seu Deus para perdoá-lo.
Santa Teresinha do Menino Jesus nutria grande afeição por essa devoção, assim como toda sua família, a ponto de serem membros de uma confraria fundada pelo venerável Léo Dupont para honrar a Sagrada Face. Rezemos, pois, a oração escrita por Santa Teresinha, que tão bem entendeu os grandes mistérios que essa bela devoção encerra.
Oração à Sagrada Face
Face adorável do meu Jesus, beleza sem igual, que arrebatastes o meu coração, transformai-me à vossa imagem e semelhança, de modo que, contemplando Vós a minha pobre alma, acheis nela o retrato da vossa. Por vosso amor, resigno-me a viver na terra, privada da doçura do vosso olhar; renuncio também às vossas divinas carícias. Uma só coisa Vos peço, que me abraseis no vosso divino amor, para que ele me consuma rapidamente e me faça aparecer diante de Vós.
Essa oração encontra-se no Manual do Devoto de Santa Teresinha, disponível em nosso site.
Doutrina da Santa Igreja Católica
A Penitência é próprio e verdadeiro Sacramento, instituído por Cristo, Nosso Senhor, para reconciliar os fiéis com o mesmo Deus, todas as vezes que depois do Batismo caírem em pecado. No Sacramento da Penitência é necessário, por direito divino, confessar todos os pecados mortais de que houver lembrança, feito o devido e diligente exame, ainda mesmo os ocultos, bem como as circunstâncias que mudam a espécie do pecado.
(Sacrossanto Concílio de Trento, Sessão XIV)
E o que diz a Sagrada Escritura a respeito da Confissão?
Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu no dia de sua gloriosa ressurreição aos seus discípulos e, estando no meio deles, disse-lhes: “A paz esteja convosco!”. E tendo dito isto, mostrou-lhes as suas mãos e o seu lado. Então alegraram-se os discípulos por verem o Senhor. Jesus disse, pela segunda vez: “A paz esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.”
Depois de ter proferido estas palavras, soprou sobre eles e disse-lhes:
“Recebei o Espírito Santo! Aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aos que vós os retiverdes, ser-lhes-ão retidos.”
(Evangelho de S. João 20, 19-23)
O Senhor falou a Moisés, dizendo: Se uma alma pecar e o souber depois, confessará aquilo em que pecou; e o sacerdote orará por ela e pelo seu pecado.
(Levítico 5)
O que encobre as suas iniquidades, não prosperará; mas o que as confessa e a elas renuncia, alcançará misericórdia.
(Provérbios 28, 13)
Se confessarmos os nossos pecados, Deus é fiel e justo para no-los perdoar e para nos purificar de toda a iniquidade.
(1 Epístola de S. João 1, 9)
À luz dessas passagens, torna-se evidente que o Sacramento da Confissão não é uma devoção opcional nem uma prática tardia da Igreja, mas uma exigência expressa da própria vontade divina, manifestada nas Sagradas Escrituras e confirmada por Nosso Senhor Jesus Cristo. A Palavra de Deus nos ensina, com clareza, que o pecado deve ser confessado e abandonado para que a alma volte a viver na amizade com Deus. Ao confiar aos Apóstolos o poder de perdoar os pecados, Cristo instituiu um meio concreto, visível e seguro para a reconciliação. Assim, quem ama a verdade revelada e deseja caminhar com fidelidade rumo à salvação não pode desprezar o tribunal da misericórdia, onde o próprio Deus, fiel às suas promessas, perdoa, cura e restitui a graça perdida.
Antes de ir ao confessionário faça a seguinte oração:
A Deus Filho
Ó Jesus, meu Divino Salvador, humildemente Vos adoro. Vós me remistes pelo vosso Preciosíssimo San-gue, mas eu Vos tenho ofendido. Dulcíssimo Jesus, não sejais para mim Juiz, mas Salvador! Venho confessar-me ao vosso ministro, como ordenastes. Dai-me a graça de acusar, humilde e sinceramente, os meus pecados, para que ele conheça e cure, em vosso San-tíssimo Nome, as feridas de minha alma. Meu Jesus, misericórdia! Perdoai-me, pelos méritos do vosso Sagrado Sangue, que derramastes por mim.
Estas e outras instruções e orações você encontra em nosso Devocionário Adoremus, disponível à pronta-entrega em nossa loja.
Prezados leitores, Monsenhor Ascânio Brandão, em sua obra Glória e Poder de São José, recorda-nos uma grande verdade que permanece viva também em nossos dias: “Hoje, em que o mundo se chafurda na lama da impureza e o escândalo arrebata as almas e campeia desenfreado, oh! como devemos recorrer a São José, imitar São José e lhe suplicarmos de todo o coração a graça da pureza.”
Por isso, trazemos aqui em nossa página uma oração presente em nosso devocionário dedicado ao glorioso Patriarca, Devoto Josefino, bem como em outras obras de nossa editora, para que alcancemos essa virtude tão necessária a todos nós, independentemente de nosso estado de vida.
Rezemos:
São José, pai e protetor das virgens, guarda fiel a quem Deus confiou Jesus, que é a inocência mesma, e Maria, a Virgem das virgens, eu vos peço e rogo por Jesus e Maria, esse dúplice depósito a vós tão caro, com o vosso eficaz auxílio, dai-me conservar o coração isento de todas as manchas, e que, puro e casto, sirva constantemente a Jesus e Maria em perfeita castidade. Amém.
Santíssima Virgem Maria, Mãe de meu Jesus, eu, o mais indigno de todos os pecadores, prostrado a vossos pés na presença de Deus Onipotente e de toda a Corte Celeste, vos apresento e ofereço meu coração com todos os seus afetos; eu vo-lo dedico e consagro em sacrifício perene; e quero que ele seja sempre vosso e do vosso querido Filho, meu Senhor Jesus Cristo. Mãe amorosíssima, aceitai a sincera e devota oferta que vos faz este vosso indigno filho, e fazei que eu principie desde agora, e continue sem interrupção, a viver unicamente para Deus e para vós. Assim o espero, assim o proponho, confiando nos auxílios da divina graça, que vossa eficaz proteção e amorosa assistência me afiançam. Jesus e Maria, recebei meu tíbio coração e colocai-o entre os vossos Santíssimos Corações, para que, inflamado em vosso ardente amor durante o tempo de minha vida, se abrase depois em suavíssimos afetos para convosco no Céu, em companhia dos Anjos e dos Santos. Amém.
É possível encontrar essa oração no devocionário Mês de Maria, disponível em nossa loja.
1. Jesus. Ai do mundo, filho! Ai do coração apegado às suas seduções e vaidades! Não basta expulsar do coração a Satanás. Ainda é mister daí banir o mundo. Se nutrires no íntimo da alma amor ao mundo, de pouco valerá tudo o que fizeres para tua completa emenda. O mundo, continuando a envenenar-te o coração, sem dúvida conseguirá perverter-te e, por fim, entregar-te ao poder do demônio.
2. Que é o mundo senão o amor desordenado e perverso dos prazeres, riquezas e honras, pelo qual seus sequazes são seduzidos e se tornam corrompidos e corruptores?
Se queres saber o que deves pensar a seu respeito, considera como Eu o julguei. Passei distribuindo meus benefícios a todos. Amei os inimigos que Me perseguiam. Pregado ao madeiro da cruz, orei pelos que Me crucificaram. Pelo mundo, porém, não rezei.
O mundo procede do diabo e acha-se todo sob o poder do maligno. Não pode possuir o meu Espírito, assim como a mentira não pode encerrar a verdade, nem a corrupção a pureza.
3. O mundo por si mesmo prova não só a realidade, mas também a necessidade do inferno. Que há de comum entre o mundo e o meu Coração, quando o mundo aberta e ocultamente favorece todos os vícios; e meu Coração, porém, só respira santidade? O mundo, de acordo com Satanás, seu chefe, procura perder eternamente as almas, enquanto o meu Coração deseja salvá-las todas. Não podes, por conseguinte, servir, ao mesmo tempo, ao mundo e a Mim. Pois, sendo amigo do mundo, tornas-te inimigo do meu Coração.
4. Se seguires o mundo, com ele perecerás. Se aderires ao meu Coração, irás para a vida eterna. Se expulsares do coração o mundo e os princípios mundanos, a fim de oferecer-Me um coração puro, tua oblação ser-Me-á grata e honrosa, e reverterá em tua glória e mérito. Os anjos e santos aplaudirão o teu proceder e o mundo mesmo ver-se-á forçado a admirar tua heroica grandeza de alma. Bem-aventurado, meu filho, é o que aparta do mundo os seus afetos para consagrá-los só a Mim!
(…)
7. Discípulo. Ó Senhor! Quão insensato foi o meu proceder! Quão perversa a minha vida! Seduzido de bom grado pela aparência de prazeres, lucros e honras, abandonei-Vos para escravizar-me ao mundo, vosso inimigo.
Deixando a fonte de todos os bens, desci ao pântano pestífero do mundo. Inebriei-me em suas águas envenenadas. Louco e insensato, despojei-me de tudo. Esquecido de Vós, meu Deus e meu tudo, entreguei-me inteiramente ao mundo, e profanei em seu serviço os vossos dons: meus sentidos externos e minhas faculdades internas. Tornei-me em extremo culpado.
Minha alma foi repleta de males; minha vida aproximou-se do inferno. Vossa cólera passou sobre mim e o terror perturbou-me, de modo que dia e noite me sentia infeliz (Sl 87, 4.17).
8. Ah! Bom Jesus! Mesmo quando, impelido pelo excessivo pavor do vosso julgamento e pelo medo do inferno, decidira viver bem, qual não foi minha fatal ilusão! Quão pernicioso não foi o meu erro!
Dividi meu coração entre Vós e o mundo, querendo servir juntamente a ambos. Que grave injúria Vos fiz, igualando-Vos ao mundo! Assim, não consegui satisfazer nem a Vós nem ao mundo e sentia-me infelicíssimo, pois, não me contentando convosco nem com o mundo, em nenhum dos dois encontrava a verdadeira felicidade. Agora, porém, que me abristes os olhos e me tocastes o coração, ó Senhor Jesus, só a Vós servirei. E desde já Vos consagro todo o meu coração para sempre.
Tirai, eu vo-Lo rogo, desse meu coração todo o amor do mundo. Transformai para mim em verdadeiro amargor toda a sua aparente doçura. Enchei o meu coração com a suavidade do vosso amor, e o mundo inteiro com todas as suas vaidades tornar-se-á insípido para mim.
Essa meditação encontra-se presente no livro Imitação do Sagrado Coração de Jesus, disponível em nosso site.
Sagrado Coração de Jesus, tende piedade de nós!
Coração dulcíssimo de Jesus, Coração Hóstia, Coração Vítima, para quem os homens ingratos só têm esquecimento, indiferença e desprezo, permiti aos vossos filhos devotos virem, neste dia de salvação e perdão, pedir misericórdia a vossos pés e dar-Vos reparação pública pelas traições, atentados e sacrilégios de que sois Vítima adorável em vosso Sacramento de Amor.
Ah! Nós mesmos somos pecadores; apenas ousamos apresentar-nos. Cada um teme, a cada um falta coragem para elevar a voz em favor de seus irmãos. Entretanto, ó Jesus, confiando na infinita bondade de vosso Coração, e prostrando-nos humildemente perante vossa Majestade Santíssima, tão indignamente ultrajada pelos crimes que inundam a terra, ousamos dizer-Vos: Senhor, não castigueis… não castigueis… ou, pelo menos, não castigueis ainda! Vosso indulgente amor perdoará nossa temeridade.
℣. Ó Coração de Jesus, Coração tão generoso e tão terno, Coração tão amante e tão doce, perdão primeiramente para nós!
℟. Perdão para os pobres pecadores!
℣. Aceitai nosso desagravo, nossa reparação pública pelas blasfêmias com que tantos Vos ultrajam!
℟. Perdão para os blasfemadores!
℣. Reparação pública pelas profanações de vossos Sacramentos e do santo dia que Vos é consagrado!
℟. Graça e perdão para os profanadores!
℣. Reparação pública pelas irreverências e imodéstias cometidas no lugar santo!
℟. Graça e perdão para os sacrílegos!
℣. Reparação pública pela indiferença que de Vós aparta tantos cristãos!
℟. Graça e perdão para os ingratos!
℣. Reparação pública por todos os crimes.
℟. Ainda uma vez, ó meu Deus, graça e perdão para todos os homens!
Favorecei-nos, Senhor, em consideração do Coração adorável de vosso Divino Filho, que vela em todos os santuários, Vítima permanente por nossos pecados.
Seja ouvido em nosso favor o seu Preciosíssimo Sangue. Cessem as ofensas. Estabeleça-se o vosso Divino Amor; reine, triunfe nos corações de todos os homens, para que todos os homens reinem um dia convosco no Céu. Amém.
Essa oração encontrar-se presente no Devocionário Adoremus e nos demais disponíveis em nossa loja.
“Antes de te embarcares no mar, ora uma vez. Antes de partires para a guerra, ora duas vezes. Antes de te casares, ora três vezes.”
Prezados leitores, com este popular provérbio francês o Padre Raul Plus, S.J. (1882-1958), renomado jesuíta francês, nos lembra que um dos deveres transcendentais de quem aspira ao matrimônio é orar muito. É evidente que tal disposição de espírito à oração deve ser cultivada e fortalecida não somente antes do casamento, mas sobretudo depois.
São muitas as alegrias e consolações que esse estado de vida traz àqueles que o escolhem, mas também é verdade que são inúmeras as suas cruzes. Essa realidade torna necessário um aumento da piedade entre todos os membros da família, com a certeza de que, quanto maior o lugar que Deus ocupa nesse lar, maiores são as bênçãos e mais humanamente feliz ele se torna.
Por isso, compartilhamos em nossa página uma oração para as pessoas unidas pelo matrimônio, presente em nosso novenário Escudo Admirável. Na mesma obra é possível encontrar também oração pelos filhos e pelo marido.
Confira:
Oração para as pessoas ligadas pelo Matrimônio
Meu Deus, que quereis, pela disposição da vossa Providência, que as pessoas ligadas pelo Matrimônio representem a união de Jesus Cristo com a Igreja, e que permitistes que eu entrasse nesse estado, fazei pela vossa graça que ele (a) sirva para me santificar, permitindo que nos amemos sempre com um amor mútuo e cristão, com um amor puro e vigilante; fazei que nós tenhamos uma só alma, um só coração, pela conformidade da nossa vontade, sempre sujeita à vossa. Permiti que a minha maior ocupação seja educar meus filhos no vosso temor, na ciência dos mistérios da vossa Santa Religião e no cumprimento das regras da vida cristã; preservai-me da negligente condescendência, que tão funesta lhes seria, e também da excessiva severidade, que m’os faria corrigir com cólera e por capricho, em lugar de o fazer com razão, moderadamente e sempre rogando por eles.
Dai-me finalmente esforço para suportar com espírito de penitência os embaraços, as inquietações e os trabalhos inseparáveis do meu estado, a fim de que eles me alcancem alguns merecimentos e sejam aos vossos olhos um sacrifício agradável, e uma fonte de bênção para a minha família.
Assim seja.
Jesus é preso e atado
Ponto I. ― Levantai-vos, e vamos, porque está perto o traidor (Mc 14, 42). Sabendo o Redentor que Judas, e com ele os soldados que vinham prendê-Lo, estava já perto, levanta-se banhado ainda naquele suor de morte, e com o rosto pálido e o coração inflamado de amor, sai-lhes ao encontro para entregar-Se em suas mãos, e vendo-os a todos juntos, pergunta-lhes: A quem buscais?
Imagina, minha alma, que também a ti te pergunta Jesus neste instante: A quem buscas? Ai, meu Senhor! E a quem posso eu buscar senão a Vós, que viestes do Céu à terra para buscar-me a mim, a fim de que não me perdesse? Prenderam a Jesus e o ataram (Jo 18, 12). Ai de mim! Um Deus preso! Que diríamos se víssemos um rei preso e atado por seus próprios escravos? E agora, que diremos vendo nas mãos do povo vil o próprio Deus? Ó cordas felicíssimas, Vós que prendestes meu Redentor, eia! Prendei-me também a mim com Ele; mas prendei-me de tal maneira que jamais possa separar-me de seu amor; atai meu coração à sua santíssima vontade, de modo que de hoje em diante já não queira eu outra coisa que o que Ele quiser.
Ponto II. ― Olha, alma minha, como uns O seguram pelas mãos, outros O atam; uns O injuriam e outros Lhe dão golpes; e o inocentíssimo Cordeiro deixa-se atar e empurrar à livre vontade deles. Não trata de fugir de suas mãos, nem pede socorro a ninguém, não se queixa das injúrias, e nem ao menos pergunta porque O maltratam assim. Olha como se cumpre agora o que profetizou Isaías quando disse: Foi sacrificado porque quis sê-lo, e não abriu a boca, como uma ovelha quando a levam ao matadouro. (Is 53, 7).
(…)
E onde estão seus discípulos? Que fazem? Se não podem livrá-lo das mãos de seus inimigos, porque ao menos não O acompanham para defender sua inocência diante dos juízes, e se nem ainda isso, pelo menos para consolá-Lo com sua presença? Mas não; diz o Evangelho: Então seus discípulos, abandonando-o, fugiram todos (Mc 14, 50). Oh! Que grande foi então o sofrimento de Jesus, vendo que até os seus estimados discípulos fugiram, e que também eles O abandonaram! Ai de mim! Pois Jesus Cristo também viu então, ao mesmo tempo, todas aquelas almas que, apesar de serem por Ele mais favorecidas que as outras, também O abandonariam, e Lhe voltariam ingratamente as costas. Ai de mim, Senhor! Que uma dessas almas infelizes fui eu, que, depois de tantas graças e luzes com que me haveis favorecido, depois de tantos favores com que me chamáveis, me esqueci ingratamente de Vós, e Vos abandonei. Admiti-me por piedade agora que, arrependido e humilhado, volto a Vós para nunca mais deixar-Vos, ó meu tesouro, ó minha vida, ó amor da minha alma.
A meditação “Jesus é preso e atado” faz parte do capítulo “Reflexões e afetos devotos sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, presente na subseção “Meditações para cada dia do mês” do devocionário Caminho Reto e Seguro para chegar ao Céu, de Santo Antônio Maria Claret, disponível em nossa loja.
Prezados leitores, nosso mais recente lançamento lança luz sobre uma devoção ainda pouco conhecida no Brasil, mas de grande necessidade nos últimos tempos: a devoção a Santa Dimpna, padroeira dos enfermos neurológicos e psicológicos.
Nos dias atuais, não há quem não padeça, ainda que temporariamente, das dores da mente, seja em si mesmo, seja pelo sofrimento de conviver e cuidar de alguém que as enfrenta. A Igreja, porém, como boa e zelosa Mãe, não deixa seus filhos desamparados e concedeu graças especiais a Santa Dimpna, Virgem e Mártir, para que interceda por todos aqueles que enfrentam tais batalhas.
Rezemos, pois, a Santa Dimpna, tão nobre em virtudes, esta oração:
Oração pelos enfermos neurológicos e psicológicos
Querida Santa Dimpna, Deus vos concedeu poder especial para o alívio e cura de pessoas com males neurológicos e outros males psicológicos. Ao longo dos anos, assististes a muitos deles. Por vossa intercessão orante, milhares encontraram alívio abençoado ou cura completa.
Hoje, vosso apostolado não é menos intenso. Milhões em nossos tempos são afligidos por distúrbios neurológicos e transtornos mentais. Tende piedade deles e rogai a Deus por todos. Atendei a seus sofrimentos e, se for da vontade de Deus, obtende-os cura ou alívio rápidos.
Que os homens da medicina e da ciência melhorem suas técnicas e encontrem novas para beneficiar aqueles que sofrem. Que todos os que carregam tais fardos de tristeza sejam abençoados com serenidade e paz, com saúde duradoura de mente e corpo. Isto peço em nome de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.