A denominação Filho do Homem, sob a qual os Profetas anunciaram o Salvador e que mais de uma vez Ele próprio aplicou a Si mesmo, não é aqui tomada no sentido de Messias, Filho de Deus ou Chefe de todo o gênero humano, mas no de possuidor e representante da natureza humana, na sua mais nobre e perfeita acepção.

1. Considerada em todos os pontos de vista, a vida de Jesus Cristo foi uma simples e ordinária existência humana. Sujeitou-Se a todos os deveres impostos pela vida social, dos quais a religião é o primeiro. A segunda condição, o liame da vida social, é a obediência à autoridade, e, nesse aspecto, nunca houve discrepância no proceder do Salvador, tanto no seio da família quanto na vida civil, em relação aos chefes da nação como aos príncipes estrangeiros. A terceira condição da sociedade é o trabalho. Jesus sempre trabalhou. Grande parte de Sua existência foi consagrada a um labor obscuro, pois queria ganhar o pão à custa do esforço próprio.

2. O segundo traço da nobreza de caráter do Filho do Homem é a delicadeza e a afetuosa solicitude que sempre testemunhou a todos os que O cercavam. Quando multiplicou os pães pela segunda vez, Ele fez observar que muitos dos ouvintes, vindos de longe, estavam exaustos de fadiga e mortos de fome. Cheio de compaixão, ordenava aos discípulos que dessem de comer a essa multidão. Encontrando um cortejo fúnebre nas cercanias de Naim, logo Se enterneceu ante a dor da aflita viúva que acabara de perder o filho único, e, sem esperar que Lhe peçam, interveio, operando o milagre.

3. O terceiro indício de um coração nobre é a gratidão, e essa nota característica é visível em toda a vida de Jesus Cristo. Com que magnanimidade divina retribui Ele a menor prova de amor e o mais leve serviço! Pedro empresta-Lhe a barca para uma prédica e recebe a magnífica recompensa da pesca milagrosa e a vocação que o transformará em pescador de homens! O mesmo Apóstolo confessa a divindade de Cristo, e o Senhor lhe confere a primazia no colégio apostólico. Nicodemos faz-Lhe uma curta visita durante a noite e obtém a graça da fé. Zaqueu dá alguns passos ao Seu encontro e Jesus hospeda-Se na casa do publicano, cumulando-a de graças extraordinárias.

4. Vemos assim, de modo patente, até que ponto nosso Deus se fez humano, amorosamente humano. Poderíamos dizer que, mediante essa doçura e esses encantos, Jesus nos quer dar uma compensação de Sua divindade e infinita Majestade. Poderia ter nos esmagado com a revelação de Sua temerosa magnitude; preferiu, porém, atrair-nos pela suave manifestação de Sua humanidade. E não é isso simples condescendência, é amor, e o amor da Eterna Sabedoria, acerca do qual foi dito: “Ele encontrou todos os caminhos da verdadeira ciência e os deu a Jacó, seu servo, a Israel seu dileto; foi em seguida, visto no mundo conversando com os filhos dos homens.


Esse pequeno trecho acerca da grandeza da manifestação da Sagrada Humanidade de Nosso Senhor Jesus Cristo nos recorda o terceiro preceito a ser observado por aqueles que desejam trilhar o caminho da perfeição, exposto em nosso livro A vida Espiritual em Três Princípios: amar o Divino Salvador. Acesse o nosso site e adquira esta obra.

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