O sofrimento que atinge o corpo e a alma

É patente que vivemos uma “pandemia” de distúrbios psicológicos. O “Atlas da Saúde Mental 2024”, publicado pela Organização Mundial da Saúde, estima que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais. No Brasil, números de 2017 apontam que o país ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de prevalência de ansiedade, com mais de 9% da população afetada, e o segundo lugar no ranking continental de prevalência de depressão, afligindo 5,8% da população, ficando só um pouco atrás dos Estados Unidos, e com ao menos a estimativa de tais transtornos terem-se agravado em mais de 25% nos últimos anos.

Há mais de meio século, o padre Lawrence G. Lovasik, SVD, americano, preocupado com a situação não muito distante da atual, dizia, ao justificar a publicação de uma obra sobre Santa Dimpna, padroeira de todos os que padecem de distúrbios contra a saúde mental:

“O mais grave problema médico que nossa nação enfrenta é o apresentado pelas doenças neurológicas e mentais. Cerca de 8 milhões de pessoas são assim afligidas. Uma em cada vinte pessoas nos Estados Unidos é desordenada emocional ou mentalmente, e necessita de tratamento para algum transtorno de personalidade. Mais da metade dos pacientes que consultam seu médico de família por alguma enfermidade física está, na verdade, sofrendo de algum tipo de distúrbio psicológico. As doenças nervosas e mentais causam mais vítimas do que o câncer, a paralisia infantil e a tuberculose somados.”

Santa Dimpna, intercessora dos que sofrem

Esses fatos alarmantes, vividos por pessoas de diferentes partes do mundo, evidenciam a dimensão de um sofrimento que, embora muitas vezes permaneça oculto, atinge profundamente a vida de inúmeras pessoas e de suas famílias. Diante de uma realidade assim, torna-se necessário reconhecer a gravidade desses sofrimentos e buscar os meios adequados para enfrentá-los.

Foi também à luz dessa realidade que a Editora Domus Aurea decidiu publicar uma obra dedicada a Santa Dimpna, venerada há séculos como especial intercessora daqueles que padecem de enfermidades mentais e de perturbações da alma. Sua vida e seu poderoso testemunho de fé recordam-nos que, em meio às maiores provações, o homem jamais está abandonado por Deus.

Buscar auxílio e confiar em Deus

Isso não significa, de modo algum, desprezar os recursos da medicina e da ciência. Aqueles que sofrem com transtornos psicológicos ou psiquiátricos devem buscar o auxílio de profissionais devidamente habilitados, pois a procura de tratamento é um ato de prudência e pode constituir importante auxílio no caminho da recuperação. Ao mesmo tempo, o homem não é apenas corpo, nem seus sofrimentos podem ser reduzidos àquilo que a medicina é capaz de tratar. Também a alma necessita de amparo, e é a Deus que devemos recorrer, sobretudo pela oração.

Jesus, o Divino Médico

Por isso, ao lado dos recursos humanos que a prudência aconselha, podemos encontrar na oração um verdadeiro consolo e uma fonte de esperança. Nas enfermidades do corpo e da alma, recorramos Àquele que é o verdadeiro Médico, Nosso Senhor Jesus Cristo, pedindo-Lhe a graça, a força e a paz necessárias para suportar cada provação e, se for da Sua Santíssima Vontade, alcançar a cura.


Oração a Jesus, o Divino Médico

Jesus, Divino Médico, Vós criastes a natureza e todas as maravilhosas funções do corpo humano. Vós sois o Mestre de Vossa criação. Vós podeis suspender, e de fato suspendeis, as leis da natureza por aqueles que têm fé em Vossa bondade e Vos suplicam em oração fervorosa. Vós prometestes que minhas orações seriam ouvidas quando dissestes: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e a quem bate, abrir-se-lhe-á” (Mt 7,7). Vós também dissestes: “Tudo quanto pedirdes na oração, crede que o recebereis, e ser-vos-á concedido” (Mc 11,24). Cheio de confiança nestas promessas, suplico-Vos que me ajudeis na minha presente aflição (mencionai aqui o vosso pedido).

Jesus, Divino Médico, durante a Vossa vida curastes doenças e enfermidades e até ressuscitastes os mortos, porque as pessoas Vos pediram que o fizésseis em oração. Creio firmemente que ouvireis também a minha oração, se esta for a vontade de Deus.

Pela intercessão de Santa Dimpna, que sofreu o martírio para provar o seu amor por Vós e para proteger a sua virtude da pureza, peço a graça de compreender cada vez mais o amor infinito do Vosso Sagrado Coração por mim. Creio firmemente que me amais com um amor que ordena todas as coisas para o meu próprio bem, ainda que isso possa ser difícil para a minha natureza suportar. É um amor que transforma em bem tudo o que no momento eu possa considerar um mal. Eu amo o Vosso Coração, que tanto me ama.

Jesus, Divino Médico, agradeço-Vos por serdes o meu melhor amigo na minha enfermidade e o meu companheiro no sofrimento; agradeço-Vos por me amardes com um Coração humano como o meu — um Coração que pode compreender as minhas dores e problemas, pois experimentou tudo o que devo suportar; um Coração que pode solidarizar-se comigo e amparar-me na minha hora de necessidade; um Coração que pode amar-me com o amor do melhor dos amigos. Como uma verdadeira fornalha de fogo, o Vosso Coração arde por mim com um amor que não conhece fim, porque tem a Sua fonte nas profundezas da Divindade. Ele arde todo por mim, como se não houvesse outros para partilhar o Seu calor infinito. Todo o afeto que derramais sobre inúmeras outras almas não diminui o Vosso amor por mim. Mesmo quando me esqueço de Vós e começo a queixar-me na minha enfermidade, Vós orais por mim. Mesmo quando Vos desaponto ao tentar livrar-me da cruz que pusestes sobre os meus ombros, Vós Vos sacrificais por mim na Santa Missa. Quando sinto dor, estais pronto para me consolar e fortalecer, pois o Vosso Sagrado Coração sempre me chama: “Vinde a Mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei” (Mt 11,28). Caríssimo Jesus, Divino Médico, vede como estou sobrecarregado com esta cruz da enfermidade. Venho a Vós e suplico-Vos que me deis descanso.

Jesus, Divino Médico, ajudai-me a perceber que é somente pela cruz que posso alcançar a glória; que é somente pelo sofrimento que posso possuir o Reino dos Céus. Antes que a Vossa própria Mãe querida fosse coroada Rainha do Céu, ela tornou-se a Mãe das Dores. Todos os Santos sofreram durante a sua vida. Santa Dimpna foi perseguida e finalmente decapitada pelo seu próprio pai. Eu também fui abençoado com o sofrimento. Esta é a única maneira de Vos seguir, pois Vós dissestes: “Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me” (Mt 16,24).

Jesus, Divino Médico, uno-me a Vós enquanto Vos ofereceis durante o Santo Sacrifício da Missa e renovais o Vosso Sacrifício do Calvário. Dai ao meu coração sentimentos semelhantes aos Vossos, para que, por meio da frequente Sagrada Comunhão e da oração, eu me torne santo e agradável a Deus, uma covítima digna convosco, e para que todas as ações, sofrimentos, lágrimas e decepções da minha vida possam ser assim consagradas a Vós como um sacrifício para a glória de Deus. Tudo o que me enviais ou permitis na minha vida, seja favorável ou desfavorável, doce ou amargo — até mesmo esta enfermidade que devo suportar — é aceitável para mim, pois resolvi conformar-me à vontade divina em todas as coisas. Vós me convidais a fazê-lo, pois dissestes: “Tomai sobre vós o meu jugo… O meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,29–30). Que a vontade de Deus seja sempre a minha vontade! Jesus, Divino Médico, curai-me! Amém.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória ao Pai.

Jesus, Divino Médico, tende piedade de nós.

Mãe das Dores, rogai por nós.

Santa Dimpna, santa das aflições e doenças mentais, rogai por nós.

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