“Antes de te embarcares no mar, ora uma vez. Antes de partires para a guerra, ora duas vezes. Antes de te casares, ora três vezes.”

Prezados leitores, com este popular provérbio francês o Padre Raul Plus, S.J. (1882-1958), renomado jesuíta francês, nos lembra que um dos deveres transcendentais de quem aspira ao matrimônio é orar muito. É evidente que tal disposição de espírito à oração deve ser cultivada e fortalecida não somente antes do casamento, mas sobretudo depois. 

São muitas as alegrias e consolações que esse estado de vida traz àqueles que o escolhem, mas também é verdade que são inúmeras as suas cruzes. Essa realidade torna necessário um aumento da piedade entre todos os membros da família, com a certeza de que, quanto maior o lugar que Deus ocupa nesse lar, maiores são as bênçãos e mais humanamente feliz ele se torna.

Por isso, compartilhamos em nossa página uma oração para as pessoas unidas pelo matrimônio, presente em nosso novenário Escudo Admirável. Na mesma obra é possível encontrar também oração pelos filhos e pelo marido. 

Confira:


Oração para as pessoas ligadas pelo Matrimônio

Meu Deus, que quereis, pela disposição da vossa Providência, que as pessoas ligadas pelo Matrimônio representem a união de Jesus Cristo com a Igreja, e que permitistes que eu entrasse nesse estado, fazei pela vossa graça que ele (a) sirva para me santificar, permitindo que nos amemos sempre com um amor mútuo e cristão, com um amor puro e vigilante; fazei que nós tenhamos uma só alma, um só coração, pela conformidade da nossa vontade, sempre sujeita à vossa. Permiti que a minha maior ocupação seja educar meus filhos no vosso temor, na ciência dos mistérios da vossa Santa Religião e no cumprimento das regras da vida cristã; preservai-me da negligente condescendência, que tão funesta lhes seria, e também da excessiva severidade, que m’os faria corrigir com cólera e por capricho, em lugar de o fazer com razão, moderadamente e sempre rogando por eles.

Dai-me finalmente esforço para suportar com espírito de penitência os embaraços, as inquietações e os trabalhos inseparáveis do meu estado, a fim de que eles me alcancem alguns merecimentos e sejam aos vossos olhos um sacrifício agradável, e uma fonte de bênção para a minha família.

Assim seja.


Jesus é preso e atado

Ponto I. ― Levantai-vos, e vamos, porque está perto o traidor (Mc 14, 42). Sabendo o Redentor que Judas, e com ele os soldados que vinham prendê-Lo, estava já perto, levanta-se banhado ainda naquele suor de morte, e com o rosto pálido e o coração inflamado de amor, sai-lhes ao encontro para entregar-Se em suas mãos, e vendo-os a todos juntos, pergunta-lhes: A quem buscais?

Imagina, minha alma, que também a ti te pergunta Jesus neste instante: A quem buscas? Ai, meu Senhor! E a quem posso eu buscar senão a Vós, que viestes do Céu à terra para buscar-me a mim, a fim de que não me perdesse? Prenderam a Jesus e o ataram (Jo 18, 12). Ai de mim! Um Deus preso! Que diríamos se víssemos um rei preso e atado por seus próprios escravos? E agora, que diremos vendo nas mãos do povo vil o próprio Deus? Ó cordas felicíssimas, Vós que prendestes meu Redentor, eia! Prendei-me também a mim com Ele; mas prendei-me de tal maneira que jamais possa separar-me de seu amor; atai meu coração à sua santíssima vontade, de modo que de hoje em diante já não queira eu outra coisa que o que Ele quiser.

Ponto II. ― Olha, alma minha, como uns O seguram pelas mãos, outros O atam; uns O injuriam e outros Lhe dão golpes; e o inocentíssimo Cordeiro deixa-se atar e empurrar à livre vontade deles. Não trata de fugir de suas mãos, nem pede socorro a ninguém, não se queixa das injúrias, e nem ao menos pergunta porque O maltratam assim. Olha como se cumpre agora o que profetizou Isaías quando disse: Foi sacrificado porque quis sê-lo, e não abriu a boca, como uma ovelha quando a levam ao matadouro. (Is 53, 7).

 (…) 

E onde estão seus discípulos? Que fazem? Se não podem livrá-lo das mãos de seus inimigos, porque ao menos não O acompanham para defender sua inocência diante dos juízes, e se nem ainda isso, pelo menos para consolá-Lo com sua presença? Mas não; diz o Evangelho: Então seus discípulos, abandonando-o, fugiram todos (Mc 14, 50). Oh! Que grande foi então o sofrimento de Jesus, vendo que até os seus estimados discípulos fugiram, e que também eles O abandonaram! Ai de mim! Pois Jesus Cristo também viu então, ao mesmo tempo, todas aquelas almas que, apesar de serem por Ele mais favorecidas que as outras, também O abandonariam, e Lhe voltariam ingratamente as costas. Ai de mim, Senhor! Que uma dessas almas infelizes fui eu, que, depois de tantas graças e luzes com que me haveis favorecido, depois de tantos favores com que me chamáveis, me esqueci ingratamente de Vós, e Vos abandonei. Admiti-me por piedade agora que, arrependido e humilhado, volto a Vós para nunca mais deixar-Vos, ó meu tesouro, ó minha vida, ó amor da minha alma.


A meditação “Jesus é preso e atado” faz parte do capítulo “Reflexões e afetos devotos sobre a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, presente na subseção “Meditações para cada dia do mês” do devocionário Caminho Reto e Seguro para chegar ao Céu, de Santo Antônio Maria Claret, disponível em nossa loja.

Prezados leitores, nosso mais recente lançamento lança luz sobre uma devoção ainda pouco conhecida no Brasil, mas de grande necessidade nos últimos tempos: a devoção a Santa Dimpna, padroeira dos enfermos neurológicos e psicológicos.

Nos dias atuais, não há quem não padeça, ainda que temporariamente, das dores da mente, seja em si mesmo, seja pelo sofrimento de conviver e cuidar de alguém que as enfrenta. A Igreja, porém, como boa e zelosa Mãe, não deixa seus filhos desamparados e concedeu graças especiais a Santa Dimpna, Virgem e Mártir, para que interceda por todos aqueles que enfrentam tais batalhas.

Rezemos, pois, a Santa Dimpna, tão nobre em virtudes, esta oração:


Oração pelos enfermos neurológicos e psicológicos

Querida Santa Dimpna, Deus vos concedeu poder especial para o alívio e cura de pessoas com males neurológicos e outros males psicológicos. Ao longo dos anos, assististes a muitos deles. Por vossa intercessão orante, milhares encontraram alívio abençoado ou cura completa.

Hoje, vosso apostolado não é menos intenso. Milhões em nossos tempos são afligidos por distúrbios neurológicos e transtornos mentais. Tende piedade deles e rogai a Deus por todos. Atendei a seus sofrimentos e, se for da vontade de Deus, obtende-os cura ou alívio rápidos.

Que os homens da medicina e da ciência melhorem suas técnicas e encontrem novas para beneficiar aqueles que sofrem. Que todos os que carregam tais fardos de tristeza sejam abençoados com serenidade e paz, com saúde duradoura de mente e corpo. Isto peço em nome de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Amém.

Jesus. Filho, quando Eu vivia entre os homens, admiravam-se e enchiam-se de pasmo ao ver-Me tratar a todos e a cada um com tão grande simplicidade. Mas isso era o segredo do meu Coração. Sendo ele simples, amava a Deus e nesse amor tudo incluía. Amava um só em todos e todos em um.

Essa simplicidade do meu Coração, manifestada por Mim aos homens, era a imagem do meu Espírito, amor indivisível, que se ocupava de muitos, permanecendo sempre uno.

No mesmo Espírito amava Deus e os homens. Considerava as misérias e as prosperidades humanas. Afastava o mal e promovia o bem. Executava várias obras, suportando pessoas de índole e disposições diversas, passando sem alteração por múltiplas e diferentes circunstâncias. Tudo fazia com o mesmo Espírito.

Tão suave virtude causava admiração aos homens. Nunca tinham visto nem sequer concebido tanta simplicidade aliada a tão grande dignidade, afabilidade tão invariável unida a tão maravilhoso poder.

De fato, não se encontrava em Mim duplicidade ou fingimento, nem elevada afetação nas palavras ou artificioso modo de proceder.

A todos se evidenciava a simples candura de minha alma, cujo procedimento era como o espelho da sinceridade do meu Coração.

(…)

Por conseguinte, é no meu Coração, centro do amor, que deves considerar e amar a todos.

Quem considera o próximo fora do meu Coração, facilmente divide o próprio coração em vários afetos meramente naturais ou o predispõe por motivos e razões em parte humanas.

(…)

Sê, portanto, simples ao ver e considerar os atos do próximo, e não dividas teu coração, julgando temerariamente.

Quem te estabeleceu juiz de teu próximo? De onde te provém o direito de condená-lo? Como ousas reprovar aquele a quem meu Coração protege, que és obrigado a amar com fraternal afeto, sendo ele talvez muito melhor do que tu aos meus olhos ou havendo de o ser por toda a eternidade?

Não tens desculpa, filho, se fazes juízo temerário. Quando julgas a outrem, não é a ti mesmo que condenas? Pelo fato de o julgares temerariamente, tornas-te tu mesmo culpado.

Não confundas, entretanto, a sugestão com a suspeita, ou a suspeita com o julgamento. A sugestão é uma instigação do inimigo que, por não depender da vontade humana, não é culpável, quando não se lhe dá voluntário consentimento. Que é a suspeita senão reputar e ter alguma coisa na conta de provável ou verossímil, em consequência de motivos duvidosos e leves indícios? Quanto ao julgamento, consiste em afirmar e crer alguma coisa como certa, com suficiente razão.

Por conseguinte, havendo suficiente motivo para suspeitar ou julgar, tal suspeita e juízo não são temerários nem culpáveis.

Se faltar motivo suficiente para suspeita ou juízo, sem, todavia, notarmos esta ausência de fundamento, o erro é invencível e inocente.

Se, entretanto, tiveres outras pessoas a teu cargo, não só é lícito, porém necessário suspeitares de teus súditos, quando houver sinais prováveis de culpa, a fim de afastares com prudência o mal percebido.

Ademais, filho, sejam quais forem os sinais, palavras ou atos notados no próximo, procura dar-lhes a interpretação mais favorável. Desculpa-o, se houver motivo para isso. Em caso contrário, corrige-o com advertência caridosa ou sinal de reprovação, contanto que a prudência o permita e daí se espere seguro efeito.

Ó meu filho! A santa simplicidade proveniente da caridade não pensa mal nem se aflige de enganar-se, quando em sua inocência pensa bem mesmo do mal.

(…)

 Discípulo. Sois, ó Senhor, o modelo e o exemplar da perfeita simplicidade! Oxalá me assemelhe a Vós!

Ó Jesus, amor puríssimo! Simplificai meu coração, para que se aproxime de vossa simplicidade, quanto é dado a uma criatura, amando só a Vós em tudo e tudo em Vós.

Simplificai meu espírito, libertando-o de vários e falsos princípios do mundo, assim como do amor próprio, e preservando-o de toda má suspeita e juízo temerário, a fim de ser guiado só por Vós na verdade, quando se tratar de coisas certas, e na caridade, quando os fatos forem duvidosos.

Simplificai-me todo, interior e exteriormente, para que, alcançando a unidade, seja sempre e em toda parte o mesmo, deduzindo todas as coisas só de Vós e a Vós só tudo referindo, que sois de todos o princípio e o fim.


Esta meditação encontra-se no livro Imitação do Sagrado Coração de Jesus, do Pe. Pedro Arnoudt, S.J., disponível em nosso site.

Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.

Comunhão Espiritual

(De Santo Afonso Maria de Ligório)

Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento do altar. Amo-Vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo; uno-me convosco inteiramente. Ah! Não permitais que torne a separar-me de Vós. Ó Jesus, sumo Bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai meu coração, a fim de que esteja abrasado em vosso amor para sempre. Amém.1



É possível encontrar essa oração no Manual do Devoto de Santa Teresinha, disponível em nosso site e nas demais publicações de nossa editora.

  1. 60 dias de indulgência, cada vez no dia. ↩︎

Quem poderá mensurar a grandeza da alegria e da satisfação do glorioso São José ao dedicar toda a sua vida aos cuidados de Jesus e Maria? Se, para um simples pai de família, já é motivo de grande júbilo trabalhar para sustentar o filho, vê-lo crescer sob seu afeto, autoridade e proteção, quais não terão sido os sentimentos do humilde carpinteiro de Nazaré ao contemplar, dia após dia, o crescimento do próprio Filho de Deus sob o mesmo teto, confiado à sua paternidade?

Meditemos tão magnífico mistério por meio do texto a seguir, extraído do capítulo nono, intitulado “Ocupações em Nazaré”, do livro Os Ensinamentos de Nazaré, do Pe. Júlio Maria de Lombaerde.


Enquanto Maria se entregava às ocupações ordinárias, de uma condição modesta, José, por sua vez, aplicava-se aos trabalhos da sua profissão, ganhando com seu labor quotidiano o sustento da pequena Família.

Que satisfação não devia experimentar, em seus trabalhos, o piedoso artífice! Quem dirá as consolações que sentia o humilde carpinteiro, quando tinha sob os olhos esta Divina Criança, por cujo amor se dedicava?

Como exultava, ao pensar que o preço dos seus suores era destinado a nutrir o Rei do Céu e a Mãe de Deus! Quem descreverá a emoção que dele se apoderava, quando via estes ilustres convivas sentados com ele à pobre mesa? Oh! Que alegria intensa e suave não sentia, quando, ao findar o dia, lhe era dado estreitar o Salvador em seus braços e receber as suas demonstrações de amor!

Ele se sentia, então, aliviado de todas as fadigas, e com usura recompensado de todos os sofrimentos.

Não teria trocado a sua sorte pela sorte dos Anjos.

Ó Maria! Ó José! Não se extasiava a vossa alma a este aspecto?… Que sentimentos, sobretudo, deviam agitar o vosso coração, cada vez que este Filho querido vos saudava com a sua voz doce e penetrante, chamando-vos Mãe ou Pai! Dizei-nos, dizei-nos, quais eram as vossas impressões, quando Jesus, sentado a vosso lado, vos testemunhava, com sua linguagem divina, a amizade que vos tinha e o reconhecimento que guardava por todas as vossas atenções!

Oh! Os próprios Anjos seriam impotentes para nos dar uma ideia.

Prezados leitores, o “Pequeno exorcismo de Leão XIII” é uma oração composta pelo Papa Leão XIII em 1884, após uma terrível visão, e prescrita a todos os padres para que rezassem ao final da Missa a partir de 1886.

Cabe ressaltar que essa oração não substitui o Exorcismo Solene da Igreja. Pode, no entanto, ser rezada em caráter privado e é uma grande arma de auxílio contra as tentações que se apresentam ao longo de nossa caminhada espiritual.

É possível encontrá-la em diversos devocionários publicados por nossa editora.

Rezemos:


Pequeno Exorcismo de Leão XIII

Sancte Michael Archangele, defende nos in prœlio, contra nequitiam et insidias diaboli esto præsidium. Imperet illi Deus, suplices deprecamur: tuque, Princeps militiæ cælestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.

℣. Cor Jesu Sacratissimum. (3x)

℟. Miserere nobis.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demônio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Amém.

℣. Coração Sacratíssimo de Jesus. (3x)

℟. Tende misericórdia de nós.

Prezados leitores, com alegria compartilhamos com vocês um trecho do capítulo VIII, intitulado “Já é o Céu”, do livro Belém, último tratado do padre Frederick William Faber, traduzido pela primeira vez e publicado pela Editora Domus Aurea.

De modo profundo e poético, o padre Faber nos convida a contemplar as alegrias da Sagrada Infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-nos a considerar como o seu Coração de Menino pôde conhecer tais alegrias em meio a uma infância tão misteriosamente marcada pelo sofrimento. Meditemos, com atenção e reverência, tão grande realidade:


Agora, enquanto está deitado no colo de Maria, o que Ele vê que ilumina tanto os seus olhos? 

Também nós passamos diante d’Ele, um a um, peregrinos cobertos de poeira, e seus olhos nos seguem, observam-nos longamente; e nos conhecerão novamente e sorrirão para nós como se fôssemos velhos conhecidos, quando as eras nebulosas tiverem chegado ao presente e nos colocarem diante d’Ele mais uma vez, em nossa peregrinação atual, embora Ele sempre tenha pensado em cada um de nós durante todas essas eras nebulosas. Ele vê nossas conversões, nossos esforços, nossa Fé, nossas esperanças trêmulas, nosso amor timidamente aspirante e nossa perseverança, se for o caso, prevista. Ele já ouve nossas orações à distância, tal como o bater do relógio da aldeia à noite no vale do outro lado da montanha. Em tudo isto há uma vívida alegria para Ele. Todos os dias, ao caminharmos de manhã à noite, atravessando mais uma passagem da vida, que nos é medida por esse supervisor1 de Deus cuja luz nos chama ao trabalho e nos mantém no nosso tempo; que pensamento repreensivo, encorajador ou meditativo, conforme a nossa escolha, deve nos acompanhar, ao considerarmos que nós realmente entramos nas alegrias do Menino de Belém, formamos uma parte dessas alegrias e enviamos para elas um novo afeto!

(…)

Verbo do Pai, quem descreverá, como deve ser descrito, qualquer uma das mais terrenas dessas vossas alegrias?

Tudo isto não é mais do que uma ou duas gotas concebíveis do oceano das alegrias d’Ele, concebidas por uma das menores de suas criaturas, em um recanto obscuro da sua criação. No entanto, é nessas suas alegrias eternas que Ele, pelo seu amor salvador, nos fará entrar quando, com um sorriso, como um daqueles que mostra agora para o rosto de Maria, nos colocar em segurança eterna, redimidos e sem culpa, aos Pés do Pai. Oh! vida exausta, esmaecida e desgastada antes que a areia da ampulheta chegue à metade! Quem não gostaria que essa hora chegasse, e que nossa alma estivesse deitada, ofegante, maravilhada, recém-chegada em seu ninho aos Pés do Pai, ainda tremendo com a surpresa de seu primeiro voo eterno?

  1. O autor se refere ao sol. (N. do R.) ↩︎

Prezados leitores, nos lembra o Apóstolo São Paulo, em sua Carta aos Filipenses, acerca da necessidade de cultivar a humildade: “Por isso, tende em vós os mesmos sentimentos que houve também em Cristo Jesus.”

Tendo diante dos olhos essa máxima, apresentamos em nosso blog a Ladainha da Humildade, comumente atribuída ao Cardeal Merry del Val, secretário de Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X, que tinha o piedoso costume de recitá-la após a Santa Missa. Essa oração encontra-se presente em nosso devocionário Escudo Admirável, bem como em outras publicações de nossa editora.

Rezemos sempre essa oração com espírito contrito, atentos a acompanhar com o coração aquilo que professamos com os lábios.


Ladainha da Humildade


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade nós.
Senhor, tende piedade de nós.


Jesus manso e humilde de coração, ouvi-nos.
Jesus manso e humilde de coração, atendei-nos.
Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.


Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado,
Do desejo de ser conhecido,
Do desejo de ser honrado,
Do desejo de ser louvado,

Do desejo de ser preferido,
Do desejo de ser consultado,
Do desejo de ser aprovado,
Do receio de ser humilhado,
Do receio de ser desprezado,
Do receio de sofrer repulsas,
Do receio de ser caluniado,
Do receio de ser esquecido,
Do receio de ser ridicularizado,
Do receio de ser difamado,
Do receio de ser objeto de suspeita,

Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu,
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo e que eu possa ser diminuído,
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado,
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado,
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas,
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível,


Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós.
São José, protetor das almas humildes,
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo,
São Francisco, imitador de um Mestre manso e humilde,
Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade,

Oremos: Ó Deus, que através dos ensinamentos e do exemplo do vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça e como fundamento de todas as outras virtudes — caminho certo para o Céu —, concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e a mais santa de todas as criaturas, aceitar, agradecendo, todas as humilhações que a vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Prezados leitores, acerca de São Francisco de Sales dizia Monsenhor Ascânio Brandão: 

“São Francisco de Sales é um mestre admirável na arte de curar e aliviar as feridas da alma. Fazei, nas aflições, uma boa leitura de São Francisco de Sales. Que alívio tereis!”

Eis que apresentamos, em nossa página, uma consoladora e edificante meditação deste insigne Doutor da Caridade, extraída de sua célebre obra Introdução à Vida Devota (Filotéia). Que essas palavras sirvam de luz e consolo diante de nossas ocupações e inquietações, especialmente quando buscamos o bom êxito de nossas obras.


Deve-se tratar dos negócios com muito cuidado, mas sem inquietação nem ansiedade

Grande diferença há entre os cuidados dos negócios e a inquietação, entre a diligência e a ansiedade. Os Anjos procuram a nossa salvação com o maior cuidado que podem, porque isto é segundo a sua caridade e não é incompatível com a sua tranquilidade e paz celestial; mas, como a ansiedade e a inquietação são inteiramente contrárias à sua bem-aventurança, nunca as têm por nossa salvação, por maior que seja o seu zelo. 

Dedica-te, Filotéia, aos negócios que estão ao teu encargo, pois Deus, que os confiou a ti, quer que cuides deles com a diligência necessária; mas, se é possível, nunca te entregues ao ardor excessivo e ansiedade. Toda inquietação perturba a razão e nos impede de fazer bem aquilo mesmo por que nos inquietamos.

Repreendendo Nosso Senhor a Santa Marta, lhe disse: Marta, Marta, tu andas muito inquieta e te embaraças com o cuidar em muitas coisas. Toma sentido nestas palavras, Filotéia. Se ela tivesse tido um cuidado razoável, não se teria perturbado; mas ela muito se inquietava e perturbava e foi esta a razão por que Nosso Senhor a repreendeu. Os rios que coleiam suave e tranquilamente através dos campos levam grandes botes com ricas mercadorias, e as chuvas brandas e moderadas dão fecundidade à terra; ao passo que os rios e torrentes, que se precipitam em borbulhões, arruínam e desolam tudo, sendo inúteis ao comércio, e as chuvas tempestuosas assolam os campos e os prados. Na verdade, obra alguma feita com precipitação saiu jamais bem feita.

(…)

Em todos os teus negócios, confia unicamente na Providência Divina, que só lhes pode dar um bom êxito. Age, no entanto, de teu lado, com uma aplicação razoável e prudência, para trabalhares sob a sua direção. Depois disso, crê-me que, se confias em Deus, o resultado será sempre favorável a ti, seja que o pareça ou não ao juízo de tua prudência.

Na conservação e aquisição dos bens terrestres, imita as crianças que, segurando-se com uma mão na mão de seu pai, com a outra se divertem em colher frutos e flores; quero dizer que te deves conservar continuamente debaixo da dependência e proteção de teu Pai celeste, considerando que Ele te segura pela mão, como diz a Sagrada Escritura, para te conduzir felizmente ao termo de tua vida e volvendo de tempos em tempos os olhos para Ele, a ver se tuas ocupações Lhe são agradáveis. Toma principalmente cuidado que a cobiça de ajuntar maiores bens não te faça largar a sua mão e negligenciar a sua proteção, porque, se Ele te abandonar, não poderás mais dar um passo sequer que não caias com o nariz no chão. 

Assim, Filotéia, nas ocupações ordinárias que exigem muita atenção, pensa mais em Deus que em teus negócios e, se forem de tal importância que ocupem toda a tua atenção, nunca deixes de levantar de vez em quando os olhos para Deus, como os navegantes que, para dirigirem o navio, mais olham para o céu que para o mar. Fazendo assim, Deus trabalhará contigo, em ti e por ti e teu trabalho te trará toda a consolação que dele esperas.