Comunhão Espiritual

(De Santo Afonso Maria de Ligório)

Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento do altar. Amo-Vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo; uno-me convosco inteiramente. Ah! Não permitais que torne a separar-me de Vós. Ó Jesus, sumo Bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai meu coração, a fim de que esteja abrasado em vosso amor para sempre. Amém.1



É possível encontrar essa oração no Manual do Devoto de Santa Teresinha, disponível em nosso site e nas demais publicações de nossa editora.

  1. 60 dias de indulgência, cada vez no dia. ↩︎

Quem poderá mensurar a grandeza da alegria e da satisfação do glorioso São José ao dedicar toda a sua vida aos cuidados de Jesus e Maria? Se, para um simples pai de família, já é motivo de grande júbilo trabalhar para sustentar o filho, vê-lo crescer sob seu afeto, autoridade e proteção, quais não terão sido os sentimentos do humilde carpinteiro de Nazaré ao contemplar, dia após dia, o crescimento do próprio Filho de Deus sob o mesmo teto, confiado à sua paternidade?

Meditemos tão magnífico mistério por meio do texto a seguir, extraído do capítulo nono, intitulado “Ocupações em Nazaré”, do livro Os Ensinamentos de Nazaré, do Pe. Júlio Maria de Lombaerde.


Enquanto Maria se entregava às ocupações ordinárias, de uma condição modesta, José, por sua vez, aplicava-se aos trabalhos da sua profissão, ganhando com seu labor quotidiano o sustento da pequena Família.

Que satisfação não devia experimentar, em seus trabalhos, o piedoso artífice! Quem dirá as consolações que sentia o humilde carpinteiro, quando tinha sob os olhos esta Divina Criança, por cujo amor se dedicava?

Como exultava, ao pensar que o preço dos seus suores era destinado a nutrir o Rei do Céu e a Mãe de Deus! Quem descreverá a emoção que dele se apoderava, quando via estes ilustres convivas sentados com ele à pobre mesa? Oh! Que alegria intensa e suave não sentia, quando, ao findar o dia, lhe era dado estreitar o Salvador em seus braços e receber as suas demonstrações de amor!

Ele se sentia, então, aliviado de todas as fadigas, e com usura recompensado de todos os sofrimentos.

Não teria trocado a sua sorte pela sorte dos Anjos.

Ó Maria! Ó José! Não se extasiava a vossa alma a este aspecto?… Que sentimentos, sobretudo, deviam agitar o vosso coração, cada vez que este Filho querido vos saudava com a sua voz doce e penetrante, chamando-vos Mãe ou Pai! Dizei-nos, dizei-nos, quais eram as vossas impressões, quando Jesus, sentado a vosso lado, vos testemunhava, com sua linguagem divina, a amizade que vos tinha e o reconhecimento que guardava por todas as vossas atenções!

Oh! Os próprios Anjos seriam impotentes para nos dar uma ideia.

Prezados leitores, o “Pequeno exorcismo de Leão XIII” é uma oração composta pelo Papa Leão XIII em 1884, após uma terrível visão, e prescrita a todos os padres para que rezassem ao final da Missa a partir de 1886.

Cabe ressaltar que essa oração não substitui o Exorcismo Solene da Igreja. Pode, no entanto, ser rezada em caráter privado e é uma grande arma de auxílio contra as tentações que se apresentam ao longo de nossa caminhada espiritual.

É possível encontrá-la em diversos devocionários publicados por nossa editora.

Rezemos:


Pequeno Exorcismo de Leão XIII

Sancte Michael Archangele, defende nos in prœlio, contra nequitiam et insidias diaboli esto præsidium. Imperet illi Deus, suplices deprecamur: tuque, Princeps militiæ cælestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.

℣. Cor Jesu Sacratissimum. (3x)

℟. Miserere nobis.

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demônio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Amém.

℣. Coração Sacratíssimo de Jesus. (3x)

℟. Tende misericórdia de nós.

Prezados leitores, com alegria compartilhamos com vocês um trecho do capítulo VIII, intitulado “Já é o Céu”, do livro Belém, último tratado do padre Frederick William Faber, traduzido pela primeira vez e publicado pela Editora Domus Aurea.

De modo profundo e poético, o padre Faber nos convida a contemplar as alegrias da Sagrada Infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-nos a considerar como o seu Coração de Menino pôde conhecer tais alegrias em meio a uma infância tão misteriosamente marcada pelo sofrimento. Meditemos, com atenção e reverência, tão grande realidade:


Agora, enquanto está deitado no colo de Maria, o que Ele vê que ilumina tanto os seus olhos? 

Também nós passamos diante d’Ele, um a um, peregrinos cobertos de poeira, e seus olhos nos seguem, observam-nos longamente; e nos conhecerão novamente e sorrirão para nós como se fôssemos velhos conhecidos, quando as eras nebulosas tiverem chegado ao presente e nos colocarem diante d’Ele mais uma vez, em nossa peregrinação atual, embora Ele sempre tenha pensado em cada um de nós durante todas essas eras nebulosas. Ele vê nossas conversões, nossos esforços, nossa Fé, nossas esperanças trêmulas, nosso amor timidamente aspirante e nossa perseverança, se for o caso, prevista. Ele já ouve nossas orações à distância, tal como o bater do relógio da aldeia à noite no vale do outro lado da montanha. Em tudo isto há uma vívida alegria para Ele. Todos os dias, ao caminharmos de manhã à noite, atravessando mais uma passagem da vida, que nos é medida por esse supervisor1 de Deus cuja luz nos chama ao trabalho e nos mantém no nosso tempo; que pensamento repreensivo, encorajador ou meditativo, conforme a nossa escolha, deve nos acompanhar, ao considerarmos que nós realmente entramos nas alegrias do Menino de Belém, formamos uma parte dessas alegrias e enviamos para elas um novo afeto!

(…)

Verbo do Pai, quem descreverá, como deve ser descrito, qualquer uma das mais terrenas dessas vossas alegrias?

Tudo isto não é mais do que uma ou duas gotas concebíveis do oceano das alegrias d’Ele, concebidas por uma das menores de suas criaturas, em um recanto obscuro da sua criação. No entanto, é nessas suas alegrias eternas que Ele, pelo seu amor salvador, nos fará entrar quando, com um sorriso, como um daqueles que mostra agora para o rosto de Maria, nos colocar em segurança eterna, redimidos e sem culpa, aos Pés do Pai. Oh! vida exausta, esmaecida e desgastada antes que a areia da ampulheta chegue à metade! Quem não gostaria que essa hora chegasse, e que nossa alma estivesse deitada, ofegante, maravilhada, recém-chegada em seu ninho aos Pés do Pai, ainda tremendo com a surpresa de seu primeiro voo eterno?

  1. O autor se refere ao sol. (N. do R.) ↩︎

Prezados leitores, nos lembra o Apóstolo São Paulo, em sua Carta aos Filipenses, acerca da necessidade de cultivar a humildade: “Por isso, tende em vós os mesmos sentimentos que houve também em Cristo Jesus.”

Tendo diante dos olhos essa máxima, apresentamos em nosso blog a Ladainha da Humildade, comumente atribuída ao Cardeal Merry del Val, secretário de Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X, que tinha o piedoso costume de recitá-la após a Santa Missa. Essa oração encontra-se presente em nosso devocionário Escudo Admirável, bem como em outras publicações de nossa editora.

Rezemos sempre essa oração com espírito contrito, atentos a acompanhar com o coração aquilo que professamos com os lábios.


Ladainha da Humildade


Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade nós.
Senhor, tende piedade de nós.


Jesus manso e humilde de coração, ouvi-nos.
Jesus manso e humilde de coração, atendei-nos.
Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.


Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado,
Do desejo de ser conhecido,
Do desejo de ser honrado,
Do desejo de ser louvado,

Do desejo de ser preferido,
Do desejo de ser consultado,
Do desejo de ser aprovado,
Do receio de ser humilhado,
Do receio de ser desprezado,
Do receio de sofrer repulsas,
Do receio de ser caluniado,
Do receio de ser esquecido,
Do receio de ser ridicularizado,
Do receio de ser difamado,
Do receio de ser objeto de suspeita,

Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu,
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo e que eu possa ser diminuído,
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado,
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado,
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas,
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível,


Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós.
São José, protetor das almas humildes,
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo,
São Francisco, imitador de um Mestre manso e humilde,
Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade,

Oremos: Ó Deus, que através dos ensinamentos e do exemplo do vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça e como fundamento de todas as outras virtudes — caminho certo para o Céu —, concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e a mais santa de todas as criaturas, aceitar, agradecendo, todas as humilhações que a vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Prezados leitores, acerca de São Francisco de Sales dizia Monsenhor Ascânio Brandão: 

“São Francisco de Sales é um mestre admirável na arte de curar e aliviar as feridas da alma. Fazei, nas aflições, uma boa leitura de São Francisco de Sales. Que alívio tereis!”

Eis que apresentamos, em nossa página, uma consoladora e edificante meditação deste insigne Doutor da Caridade, extraída de sua célebre obra Introdução à Vida Devota (Filotéia). Que essas palavras sirvam de luz e consolo diante de nossas ocupações e inquietações, especialmente quando buscamos o bom êxito de nossas obras.


Deve-se tratar dos negócios com muito cuidado, mas sem inquietação nem ansiedade

Grande diferença há entre os cuidados dos negócios e a inquietação, entre a diligência e a ansiedade. Os Anjos procuram a nossa salvação com o maior cuidado que podem, porque isto é segundo a sua caridade e não é incompatível com a sua tranquilidade e paz celestial; mas, como a ansiedade e a inquietação são inteiramente contrárias à sua bem-aventurança, nunca as têm por nossa salvação, por maior que seja o seu zelo. 

Dedica-te, Filotéia, aos negócios que estão ao teu encargo, pois Deus, que os confiou a ti, quer que cuides deles com a diligência necessária; mas, se é possível, nunca te entregues ao ardor excessivo e ansiedade. Toda inquietação perturba a razão e nos impede de fazer bem aquilo mesmo por que nos inquietamos.

Repreendendo Nosso Senhor a Santa Marta, lhe disse: Marta, Marta, tu andas muito inquieta e te embaraças com o cuidar em muitas coisas. Toma sentido nestas palavras, Filotéia. Se ela tivesse tido um cuidado razoável, não se teria perturbado; mas ela muito se inquietava e perturbava e foi esta a razão por que Nosso Senhor a repreendeu. Os rios que coleiam suave e tranquilamente através dos campos levam grandes botes com ricas mercadorias, e as chuvas brandas e moderadas dão fecundidade à terra; ao passo que os rios e torrentes, que se precipitam em borbulhões, arruínam e desolam tudo, sendo inúteis ao comércio, e as chuvas tempestuosas assolam os campos e os prados. Na verdade, obra alguma feita com precipitação saiu jamais bem feita.

(…)

Em todos os teus negócios, confia unicamente na Providência Divina, que só lhes pode dar um bom êxito. Age, no entanto, de teu lado, com uma aplicação razoável e prudência, para trabalhares sob a sua direção. Depois disso, crê-me que, se confias em Deus, o resultado será sempre favorável a ti, seja que o pareça ou não ao juízo de tua prudência.

Na conservação e aquisição dos bens terrestres, imita as crianças que, segurando-se com uma mão na mão de seu pai, com a outra se divertem em colher frutos e flores; quero dizer que te deves conservar continuamente debaixo da dependência e proteção de teu Pai celeste, considerando que Ele te segura pela mão, como diz a Sagrada Escritura, para te conduzir felizmente ao termo de tua vida e volvendo de tempos em tempos os olhos para Ele, a ver se tuas ocupações Lhe são agradáveis. Toma principalmente cuidado que a cobiça de ajuntar maiores bens não te faça largar a sua mão e negligenciar a sua proteção, porque, se Ele te abandonar, não poderás mais dar um passo sequer que não caias com o nariz no chão. 

Assim, Filotéia, nas ocupações ordinárias que exigem muita atenção, pensa mais em Deus que em teus negócios e, se forem de tal importância que ocupem toda a tua atenção, nunca deixes de levantar de vez em quando os olhos para Deus, como os navegantes que, para dirigirem o navio, mais olham para o céu que para o mar. Fazendo assim, Deus trabalhará contigo, em ti e por ti e teu trabalho te trará toda a consolação que dele esperas.

Prezados leitores, propomos a seguir uma breve e fervorosa oração de ação de graças, a ser rezada após a Santa Comunhão. Ela se encontra em nosso devocionário Adoremus e nos demais disponíveis em nosso site.
Rezemos:


Oração diante da imagem do Crucifixo

Eis-me aqui, ó meu bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos, me prostro em vossa divina presença, e com o maior fervor de minha alma Vos rogo e suplico, que Vos digneis de imprimir em meu coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, e de uma verdadeira penitência de meus pecados, assim como uma vontade inabalável de emendar-me deles. Isto Vos peço ao mesmo tempo que, com o maior afeto e dor, considero comigo mesmo e contemplo no meu interior vossas Cinco Chagas, tendo diante dos olhos aquilo, ó bom Jesus, que já punha em vossa boca a respeito de Vós o profeta Davi: “Traspassaram minhas mãos e meus pés; contaram todos os meus ossos.”1

  1. Indulgência plenária nas condições ordinárias para quem rezar esta oração diante da imagem do Crucifixo, depois da Comunhão. ↩︎

Prezados leitores, convidamos vocês a meditar um dos relatos mais comoventes dedicados ao glorioso Santo Antônio. Homem de exímias virtudes, nosso taumaturgo foi um grande devoto do Sagrado Coração de Jesus, íntimo amigo do Menino Deus e discípulo muito amado de São Francisco de Assis, que, em sinal de profundo afeto e estima espiritual, chegou a chamá-lo de “meu bispo”.

O relato que apresentamos a seguir encontra-se na obra Florinhas de Santo Antônio, disponível em nosso site. Ao final, o leitor encontrará também uma breve e piedosa oração ao Deus-Menino nos braços de Santo Antônio, extraída de nosso devocionário dedicado ao santo, o Manual de Santo Antônio.

Confira a seguir


Como certo fidalgo viu a Santo Antônio abraçado ao dulcíssimo Menino e Senhor Nosso Jesus Cristo

Quando, certa vez, Santo Antônio entrou numa cidade em serviço de pregação, o senhor fidalgo que lhe deu pousada reservou-lhe aposentos retirados, a fim de não o perturbarem no estudo e oração.

Ora, estava o Santo recolhido e só em seus aposentos, quando o senhor fidalgo, discorrendo pela casa a tratar da sua vida, adregou passar perto e, levado por devota curiosidade, espreitou para dentro, às escondidas, por uma fresta que abria mesmo no lugar onde o Santo descansava. E o que hão de ver seus olhos! Um Menino mui formoso e alegre, nos braços de Santo Antônio, e o Santo a contemplar-Lhe o rosto, a apertá-Lo ao peito e a cobri-Lo de beijos.

Ficou maravilhado o fidalgo com a formosura do Menino, e todo se espantava, não atinando como explicar donde teria vindo para ali criança tão graciosa e tão bela.

E o Menino, que outro não era senão o Senhor Jesus, revelou a Santo Antônio que seu hospedeiro o estava espreitando.

Pelo que Santo Antônio, depois de findar a longa oração, chamou o senhor fidalgo e, humildemente, lhe pediu e instou que, enquanto ele vivo fosse, a ninguém revelasse a visão que espreitara.

E só depois da morte do Santo, o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que seus olhos indiscretos haviam contemplado. Em louvor de Cristo. Amém.


Oração a Deus-Menino nos braços de Santo Antônio

Ó meu amabilíssimo Jesus, todo suavidade e bondade, que Vos dignastes de aparecer ao glorioso Santo Antônio na forma de menino e descansastes nos seus braços, a fim de testemunhar-lhe o vosso amor, eu Vos adoro com todos os afetos do meu coração. Desejo amar-Vos tão ardentemente como Santo Antônio na sua vida.

Para recompensar este amor, que este servo fiel Vos consagrou, lhe aparecestes visivelmente, descendo aos seus braços e comunicando-lhe naquele momento venturoso um antegosto das alegrias celestes.

Por aquele amor, que consagrastes a Santo Antônio, ouvi, meu bom Jesus, minhas súplicas. A Vós nada é impossível. Purificai cada vez mais a minha alma, a fim de receber-Vos sempre dignamente na Sagrada Comunhão.

Prendei pelos laços do amor divino o meu coração tão firmemente ao vosso, que nada neste mundo seja capaz de separar-me de Vós. Fazei que, de hoje em diante, eu ache a minha consolação mais suave, a minha alegria em amar-Vos de todo o coração, de toda a minha alma, com todas as forças no tempo e na eternidade.

Prezados leitores, é bem verdade que, nesta vida — neste vale de lágrimas — há dores comuns a todas as almas, que nos flagelam o coração mais cedo ou mais tarde, entre elas a dor da perda de alguém que muito amamos. Nossa Senhora, a Virgem Mãe lacrimosa, também não foi isenta dessa realidade: primeiro, ao separar-se do seu castíssimo esposo, São José; depois, ao se ver durante três dias sem o seu amado Jesus.

No entanto, ao ressurgir da morte, Nosso Senhor nos abre as portas do Céu e, com elas, nos revela uma feliz realidade: tornaremos a ver aqueles que nos foram queridos e juntos gozaremos da bem-aventurança eterna na presença de Deus, se, pela graça, permanecermos fiéis a Ele.

Por isso, trazemos em nossa página uma breve e consoladora oração, extraída do nosso livro No Céu nos Reconheceremos, para que possamos reencontrar, na bem-aventurança, aqueles que nos foram caros.

Rezemos: 


Oração a Nosso Senhor Jesus Cristo

Divino Jesus, que pusestes em vosso Coração todas as nossas legítimas afeições para abençoá-las e santificá-las, e Vos dignastes gozar das alegrias da piedade filial e mesmo dar aos homens o doce nome de amigo: onde estão agora, Senhor, estes meus amigos e parentes? Estão no Céu, junto de Vós e de vossa Mãe muito amada, a quem reconheceis como ela Vos reconhece? Ah! Quanto desejo, eu também, reconhecer minha mãe na glória celeste e ser por ela reconhecido, torná-la a ver com meu pai e meus irmãos, e tornar a ver juntamente todos os meus parentes e amigos!


Ó Deus de amor, Deus do tabernáculo e da Santa Mesa, cujo Corpo nos reúne num mesmo banquete neste mundo e guarda as nossas almas para a vida eterna, guardai, guardai também todos os membros da minha alma, todos os membros do meu coração, isto é, todas as pessoas que amo; guardai-as para a vida, guardai-as para a eternidade, e fazei que nos encontremos todos no banquete dos Céus. Fazei, sobretudo, que aí encontre a alma que me era especialmente querida. Que ela e eu nos reconheçamos, que eu saiba tudo o que ela faz em segredo por mim, e que lho agradeça eternamente na Pátria dos bem-aventurados. Assim seja.

Prezados leitores, o Santo Rosário, também conhecido como Saltério Mariano, é, sem dúvidas, uma das devoções populares mais enraizadas na história da Igreja. Sua origem encontra-se associada ao Saltério Davídico, isto é, aos 150 Salmos tradicionalmente rezados nos mosteiros como parte do Ofício Divino. No entanto, como o acesso às Escrituras e ao Breviário não era comum entre os leigos — e considerando que muitos deles, assim como alguns religiosos, eram analfabetos —, passou-se a substituir a recitação dos 150 Salmos pela repetição de 150 Pai-Nossos ou Ave-Marias, preservando assim a estrutura do Saltério por meio de uma forma de oração acessível a todos.

São Domingos de Gusmão, no entanto, popularizou o Santo Rosário. Assim nos recorda um breve texto presente em nosso devocionário Mês de Maria

“São Domingos, fundador da Ordem Religiosa dos Pregadores, para opor uma barreira à heresia dos albigenses, que no seu tempo infestava os povos, especialmente da França, por inspiração da Santíssima Virgem, a quem para tal fim havia recorrido, instituiu e promulgou efetivamente, por volta do ano 1214, a devoção do Santo Rosário, a qual em todos os séculos tem produzido no cristianismo os maiores benefícios e prodígios.”

Rezemos com atenção: 


O SANTO ROSÁRIO

Oferecimento do Terço

Divino Jesus, nós Vos oferecemos este Terço que vamos rezar, contemplando os cinco mistérios gozosos e os demais de nossa Redenção. Concedei-nos, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem nos dirigimos, as virtudes que nos são necessárias e a graça de ganharmos as indulgências anexas a esta santa devoção.

No princípio, reza-se o Credo (como profissão de santa fé, que é a disposição mais necessária para a eficácia da oração). Em seguida, um Pai-Nosso, três Ave-Marias e um Glória ao Pai (em honra das três Pessoas da Santíssima Trindade e para alcançar aumento de fé, esperança e caridade).1

MISTÉRIOS GOZOSOS
(Para as segundas e quintas-feiras)

Primeiro Mistério
A Encarnação do Verbo Divino


Neste primeiro mistério, se considera como o Arcanjo Gabriel é enviado à Virgem Imaculada para anunciar-lhe que, permanecendo sempre Virgem, seria Mãe do Filho de Deus.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Segundo Mistério
A visita de Nossa Senhora a Santa Isabel


Neste segundo mistério, se considera como Maria Santíssima visita a sua prima Santa Isabel, demorando-se com ela três meses, servindo-a como humilde serva.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Terceiro Mistério
O Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo


Neste terceiro mistério, se considera como Jesus, Salvador do mundo, nasce à meia-noite em Belém e é colocado por Maria Santíssima, sua mãe, num presépio.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Quarto Mistério
A apresentação de Jesus no templo


Neste quarto mistério, se considera como a Virgem puríssima apresenta seu Divino Filho no templo e O põe nos braços do Santo velho Simeão.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Quinto Mistério
O encontro do Menino Jesus no templo


Neste quinto mistério, se considera como a Virgem Santíssima, tendo perdido o Menino-Deus, que então era da idade de doze anos, O acha no templo entre os doutores.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

MISTÉRIOS DOLOROSOS
(Para as terças e sextas-feiras)

Primeiro Mistério
A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras


Neste primeiro mistério, se considera como Nosso Senhor Jesus Cristo derrama suor de Sangue em agonia no Horto das Oliveiras.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Segundo Mistério
A flagelação de Jesus


Neste segundo mistério, se considera como o inocentíssimo Jesus, em expiação dos nossos pecados, é cruelmente açoitado em casa de Pilatos.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Terceiro Mistério
O tormento da coroação de espinhos


Neste terceiro mistério, se considera como o Divino Salvador é coroado com agudíssimos espinhos.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Quarto Mistério
Jesus Cristo no caminho do Calvário


Neste quarto mistério, se considera como o Santíssimo Filho de Deus leva, por nosso amor, aos ombros o pesado lenho da Cruz até o Monte Calvário.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Quinto Mistério
A morte de Jesus no Calvário


Neste quinto mistério, se considera como Nosso Senhor e Salvador é despido de seus vestidos, pregado na Cruz com duros cravos e nela expira em presença de sua aflitíssima mãe.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

MISTÉRIOS GLORIOSOS
(Para as quartas-feiras, sábados e domingos)

Primeiro Mistério
A Ressurreição de Jesus Cristo


Neste primeiro mistério, se considera como Nosso Senhor Jesus Cristo, ao terceiro dia depois de sua Paixão e Morte, ressuscita glorioso e triunfante.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Segundo Mistério
A gloriosa Ascensão de Jesus


Neste segundo mistério, se considera como Nosso Senhor Jesus Cristo, quarenta dias depois de sua gloriosa Ressurreição, sobe ao Céu com admirável triunfo.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Terceiro Mistério
A vinda do Espírito Santo


Neste terceiro mistério, se considera como desce do Céu o Espírito Santo sobre os apóstolos, reunidos com Maria Santíssima no cenáculo de Jerusalém, onde, por ordem de Jesus, permaneciam em oração.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Quarto Mistério
A Assunção de Maria Santíssima ao Céu


Neste quarto mistério, se considera como a Virgem Imaculada e Mãe de Deus, Maria, depois de sua morte preciosíssima, é levada ao Céu pela virtude divina de seu Filho.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Quinto Mistério
Coroação de Maria no Céu


Neste quinto mistério, se considera como a Virgem Maria foi coroada pela Santíssima Trindade, Rainha dos Anjos e dos homens, ficando ao mesmo tempo Mãe carinhosa e doce refúgio de todos os pobres pecadores.
1 Pai-Nosso, 10 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai.

Fazer o agradecimento ao final do Terço ou do Rosário:


Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossas mãos liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo de vosso poderoso amparo, e, para mais vos obrigar, vos saudamos com uma: Salve, Rainha…

Após a Salve-Rainha, convém concluir o Terço ou Rosário com a Ladainha de Nossa Senhora.

  1. Após cada Glória ao Pai, convém rezar a oração ensinada por Nossa Senhora em Fátima: “Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.” ↩︎