Prezados leitores, o texto de hoje, tirado do livro Imitação do Sagrado Coração de Jesus, publicado pela nossa editora, recorda-nos uma das máximas de Nosso Senhor Jesus Cristo pregada no Evangelho e que deve estar gravada em nossa memória e em nosso coração:
“Vinde a Mim todos os que estais fatigados e carregados, e Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas.“
O mundo, a agitação, o desassossego da vida e a inconstância do coração impedem-nos de viver tranquilos. E, não raro, imersos nessa inquietação, esquecemo-nos de que fomos criados para a eternidade e que, portanto, nada do que é passageiro pode nos saciar.
Sigamos, pois, o exemplo do homem prudente que edificou sua casa sobre a rocha, fixando o nosso coração em um único e seguro fundamento: o Coração de Jesus.
Confira a meditação a seguir:
Nosso coração encontra no Coração de Jesus o verdadeiro repouso e a genuína felicidade
1. Jesus. Filho, se queres alcançar a verdadeira felicidade, aplica o teu coração à imitação e à convivência do meu Coração.
N’Ele encontrarás a paz e a tranquilidade que o mundo não pode dar nem tomar. Se uma vez entrasses perfeitamente no íntimo do meu Coração, daí verias todas as coisas terrenas como realmente são e não como as avaliam os insensatos idólatras do mundo.
Facilmente te libertarias dos cuidados supérfluos e penosos das criaturas, e só os bens verdadeiros julgarias dignos de ti. Teu coração, sujeito a contínuas vicissitudes, muda sete vezes por dia. Inconstante como o mar, ora está alegre, ora triste, tranquilo ou agitado, umas vezes inflamado no amor das criaturas, outras, enfastiado com a sua vaidade; agora, fervoroso, logo depois tíbio.
Se, porém, teu coração estivesse unido ao meu, far-se-ia subitamente grande e duradoura serenidade.
Seguro por estar unido ao meu Coração, permanecerias como em porto seguro sempre o mesmo, inabalável e inacessível a qualquer mudança, quer soprasse vento favorável quer contrário.
Se te esconderes no meu Coração, nenhum inimigo te poderá prejudicar. O diabo ronda à procura de presa, e arrasta muitos consigo à perdição. De ti, porém, não conseguirá aproximar-se nem perturbar-te a paz.
3. Oxalá conhecesses o dom de Deus e soubesses quantos bens encerra! Na verdade, nele se encontra teu repouso e toda a tua felicidade.
A paz constante, a segurança imperturbável, a verdadeira alegria do coração são a partilha de quantos amam e habitam o meu Coração.
De que servem as riquezas, as honras, os prazeres, se o coração não se sentir tranquilo e satisfeito? Que pode dar-nos o mundo inteiro senão inquietações e dissabores? Por conseguinte, sejam quais forem os teus bens, estarás infeliz até repousares em Mim, que sou o único capaz de contentar-te.
4. Discípulo. Assim atesta-me a experiência, ó Senhor. Pois em todas as coisas busquei a paz e só encontrei contínuas perturbações.
Para vossa glória e nosso bem, quisestes que só em Vós nosso coração encontrasse a paz. “Criastes-nos para Vós, ó Senhor, e nosso coração sente-se inquieto e infeliz até descansar em Vós” (Santo Agostinho).
Ó dulcíssimo Coração de Jesus! Delícia da Santíssima Trindade! Alegria de todos os anjos e santos! Bem-aventurado paraíso das almas! Que hei de querer fora de Vós, se aí encontro tudo que posso e devo desejar? Em Vós o Céu encontra o seu gozo, a terra a sua felicidade. Sendo Vós a bem-aventurança de todos, por que não sereis a minha? Sim, ó Jesus dulcíssimo de Coração, sois meu repouso, minha bem-aventurança para sempre.
Prezados leitores, sejam bem-vindos a mais um conteúdo preparado por nossa equipe.
Nesta quinta-feira a Igreja nos convida ao recolhimento e à oração, dedicando alguns minutos do nosso dia a fazer companhia a Nosso Senhor Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Rezemos, então, com uma breve oração para esse momento, retirada do nosso devocionário Escudo Admirável, seguida do hino Tantum Ergo Sacramentum, composto por São Tomás de Aquino, teólogo e Doutor da Igreja.
Oração preparatória à adoração do Santíssimo Sacramento
Graças e louvores, ó Jesus, Vos sejam sempre dados no sacramento de vosso amor. Ó Amor digno de todos os amores celestes e terrestres! Foi por um ilimitado amor para comigo, ingrato pecador, que Vós revestistes a nossa humanidade, derramastes o vosso Preciosíssimo Sangue na vossa dolorosa flagelação, e que morrestes sobre uma Cruz ignominiosa para nos salvar a todos. Agora que me ilumina uma viva fé, é com toda a efusão de minha alma e todo o fervor do meu coração que humildemente Vos peço, pelos infinitos merecimentos de vossos acerbos sofrimentos, que me deis ânimo e força para destruir todas as más paixões que dominam no meu coração, bendizer-Vos nas minhas maiores aflições, glorificar-Vos com o exato cumprimento de todos os meus deveres, detestar inteiramente o pecado e santificar-me.
Depois da Oração preparatória, dirá o Hino:
Tantum Ergo Sacramentum
| Tantum ergo Sacramentum Veneremur cernui: Et antiquum documentum Novo cedat ritui: Præstet fides supplementum Sensuum defectui. Genitori, Genitoque Laus et jubilatio, Salus, honor, virtus quoque Sit et benedictio: Procedenti ab utroque Compar sit laudatio. Amen. ℣. Panem de cælo præstitisti eis. ℟. Omne delectamentum in se habentem. | Inclinados adoremos Sacramento tão augusto; Ao novo Mistério ceda O documento vetusto; Supra em nós da fé o efeito Dos sentidos o defeito. Louvor e júbilo seja Ao Pai, ao Filho supremo, Salvação, honra perene, A bênção, poder eterno: De ambos procede esse amor, A quem cabe igual louvor. Amém. ℣. Destes-lhes, Senhor, o Pão do Céu. ℟. Que em si contém toda a doçura. |
Oremos
Ó Deus, que neste admirável Sacramento nos deixastes a memória da vossa Paixão: concedei-nos, como rogamos, para por tal modo veneremos os sagrados mistérios do vosso Corpo e Sangue, que continuamente sintamos em nós os frutos da vossa Redenção. Vós que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.
Prezados leitores, uma das mais belas e recitadas orações dedicadas à Santíssima Virgem Maria é a Ladainha de Nossa Senhora. Também conhecida como Ladainha Lauretana, ela está intimamente associada ao Santuário de Nossa Senhora de Loreto, na Itália, de onde se difundiu rapidamente entre os numerosos peregrinos que ali acorriam e aprendiam a recitá-la, tendo sido aprovada oficialmente pelo Papa Sisto V em 1587.
Convém entender, ainda que brevemente, o que seria uma ladainha. Trata-se de uma súplica ou rogação: uma oração comumente rezada de forma alternada entre o povo e o sacerdote, embora possa ser rezada individualmente. Nela se invoca a misericórdia de Deus — expressa, por exemplo, na repetição do Kyrie eleison (“Senhor, tende piedade”) — ou recorre-se aos Santos, nossos fiéis intercessores.
Desta forma, os títulos empregados na Ladainha de Nossa Senhora não encontram-se distribuídos de forma aleatória. Pelo contrário, são ordenados de modo a, primeiramente, enaltecer a santidade, maternidade divina e perpétua virgindade de Maria. Em seguida, aparecem os títulos tirados do Antigo Testamento. Após estes, seguem-se aqueles que realçam sua bondade e misericórdia para com os pobres pecadores, encerrando-se a ladainha com os títulos que nos recordam a realeza da Mãe de Jesus Cristo.
Rezemos juntos:
Ladainha de Nossa Senhora
| Kyrie, eleison. Christe, eleison. Kyrie, eleison. Christe, audi nos. Christe, exaudi nos. Pater de cælis, Deus, miserere nobis. Fili, Redemptor mundi, Deus, Spiritus Sancte, Deus, Sancta Trinitas, unus Deus, Sancta Maria, ora pro nobis. Sancta Dei Genitrix, Sancta Virgo virginum, Mater Christi, Mater divinæ gratiæ, Mater purissima, Mater castissima, Mater inviolata, Mater intemerata, Mater amabilis, Mater admirabilis, Mater boni consilii, Mater Creatoris, Mater Salvatoris, Virgo prudentissima, Virgo veneranda, Virgo prædicanda, Virgo potens, Virgo clemens, Virgo fidelis, Speculum justitiæ, Sedes sapientiæ, Causa nostræ lætitiæ, Vas spirituale, Vas honorabile, Vas insigne devotionis, Rosa mystica, Turris Davidica, Turris eburnea, Domus aurea, Foederis arca, Janua cæli, Stella matutina, Salus infirmorum, Refugium peccatorum, Consolatrix afflictorum, Auxilium Christianorum, Regina Angelorum, Regina Patriarcharum, Regina Prophetarum, Regina Apostolorum, Regina Martyrum, Regina Confessorum, Regina Virginum, Regina Sanctorum omnium, Regina sine labe originali concepta, Regina in cælum assumpta, Regina sacratissimi Rosarii, Regina pacis, Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, parce nobis, Domine. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, exaudi nos, Domine. Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis. ℣. Ora pro nobis, Sancta Dei Genitrix. ℟. Ut digni efficiamur promissionibus Christi. Oremus: Concede nos famulos tuos, quæsumus, Domine Deus, perpetua mentis et corporis sanitate gaudere, et gloriosa beatæ Mariæ semper Virginis intercessione, a præsenti liberari tristitia et æterna perfrui lætitia. Per Christum, Dominum nostrum. ℟. Amen. | Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo, tende piedade de nós. Senhor, tende piedade de nós. Jesus Cristo, ouvi-nos. Jesus Cristo, atendei-nos. Pai Celeste, que sois Deus, tende piedade de nós. Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, Espírito Santo, que sois Deus, Santíssima Trindade, que sois um só Deus, Santa Maria, rogai por nós. Santa Mãe de Deus, Santa Virgem das virgens, Mãe de Jesus Cristo, Mãe da divina graça, Mãe puríssima, Mãe castíssima, Mãe imaculada, Mãe intacta, Mãe amável, Mãe admirável, Mãe do bom conselho, Mãe do Criador, Mãe do Salvador, Virgem prudentíssima, Virgem venerável, Virgem louvável, Virgem poderosa, Virgem benigna, Virgem fiel, Espelho de justiça, Sede de sabedoria, Causa da nossa alegria, Vaso espiritual, Vaso honorífico, Vaso insigne de devoção, Rosa mística, Torre de Davi, Torre de marfim, Casa de ouro, Arca da aliança, Porta do Céu, Estrela da manhã, Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Consoladora dos aflitos, Auxílio dos Cristãos, Rainha dos Anjos, Rainha dos Patriarcas, Rainha dos Profetas, Rainha dos Apóstolos, Rainha dos Mártires, Rainha dos Confessores, Rainha das Virgens, Rainha de todos os Santos, Rainha concebida sem pecado original, Rainha assunta ao Céu, Rainha do sacratíssimo Rosário, Rainha da paz, Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos, Senhor. Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós. ℣. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus. ℟. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Oremos: Senhor Deus, nós Vos suplicamos que concedais a vossos servos lograr perpétua saúde de alma e corpo e que, pela gloriosa intercessão da Bem-aventurada e sempre Virgem Maria, sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo Nosso Senhor. ℟. Amém. |
Como Deus se serviu da figura de São José para ocultar o Redentor até a hora da Cruz
Prezados leitores, convidamos vocês a contemplarem, neste breve recorte da obra Os Ensinamentos de Nazaré, do Pe. Júlio Maria de Lombaerde, as virtudes daqueles que, não por acaso, foram chamados de “A Santíssima Trindade na terra”.
De modo particular, porém, meditaremos o papel da figura de São José no plano da Redenção, o qual, com sua simplicidade e seu silêncio tão característico, foi pensado desde a eternidade para ser o grande véu de Deus.
Leiamos com atenção:
Antes de nos determos na contemplação das diferentes virtudes, que brilham em Nazaré de modo tão singular, será bom nos demorarmos um momento junto ao chefe da Sagrada Família, para que analisemos bem a sua missão sublime, e para que estudemos o caráter desta figura eminentemente simples, tranquila, silenciosa e sobretudo obscura, que é menos uma figura do que uma sombra.
São José, apesar de viver sempre perto de Jesus e para Jesus, tem, entretanto, com Ele, relações mais afastadas do que as de Maria. Ele não é o pai do Divino Infante, como Maria é a sua Mãe; ele é, antes, o seu condutor, o seu protetor, o seu pai nutrício e, sobretudo, o seu véu.
(…)
Ele é o chefe da Sagrada Família, para conduzi-la, regê-la e nutri-la; mas ele é, ao mesmo tempo, o grande véu que Deus lançou por sobre estes inefáveis e refulgentes mistérios, a fim de atenuar-lhes o brilho aos olhos do mundo, e permitir a Jesus e a Maria desempenhar o seu grande papel: o primeiro, de Redentor, a segunda, de Corredentora, sem que a ação deles resplandeça antes do mistério da Cruz.
José e a Cruz! Já pensamos, porventura, em aproximar estas duas coisas, entretanto tão correlativas? Serviu-se Deus de José para ocultar a vinda do Redentor, e serviu-se da Cruz para fazê-Lo triunfar para sempre no mundo.
(…)
O inferno não pode deixar de ficar inquieto com o nascimento da Virgem Imaculada. Quem era esta criatura, que escapava assim ao ferrete da dominação do pecado? Não seria a Virgem que deve conceber, predita pelos profetas?
A astuciosa serpente estava inquieta… ela duvidava! Mas Deus frustra o seu ardil. Ele escolhe São José para ser o esposo desta Virgem temida.
— Não, não — escarnece Satanás —, não é aquela que deve gerar o Salvador; não é ela a esposa do carpinteiro José?
Jesus acaba de nascer.
Os anjos entoam o seu cântico.
Satanás espreita…
Não será o Messias?…
Mas José está aí; e quando o Divino Infante estende as mãozinhas para o pobre operário e o chama de pai, o maldito tranquiliza-se…
— Não, não — exclama ele —, este não é o Filho da Virgem, este é o filho do carpinteiro!
Jesus cresce em idade e em sabedoria…
Aos doze anos Ele confunde os doutores e os sábios de Jerusalém.
O demônio diz ainda de si para si: — Mas donde vem a este menino tanta sabedoria, tanta piedade, tanta visão sobrenatural?…
Mas fica em breve sossegado: Maria e José vêm procurar o Menino no Templo, e a Mãe de Jesus diz: “Meu filho, teu pai e eu andávamos te procurando aflitos.” E o próprio povo pergunta admirado: Não é este o filho do carpinteiro?
— Não, não — ruge ainda Satanás —, este filho de Maria nada faz recear; deixemo-lo em paz, na oficina com o seu pai.
É assim que, em toda parte, o inferno é derrotado: em todo lugar em que alguma coisa O faz sobressair, quer pela Virgem, quer pelo Filho, José intervém e lança sobre o acontecimento o véu de sua obscuridade. E, deste modo, permite ao Salvador preparar de longe o grande triunfo, sem que alguém O repare. E assim todas as suspeitas do inferno são desconcertadas, até o dia em que, fazendo retumbar repentinamente a sua força e a sua glória, exclama o Redentor, dirigindo-se ao mundo, na pessoa de São João: Ecce Mater tua — Eis a vossa Mãe!
Neste momento, Aquela que o demônio tomara simplesmente por uma mulher piedosa, pela viúva do carpinteiro, aproxima-se da Cruz, põe triunfalmente o pé sobre a cabeça da serpente, e exclama juntamente com o seu Filho expirante: Tudo está consumado!
Nesta hora, Lúcifer, perturbado, sente o pé da Virgem esmagar-lhe a cabeça de serpente, e tenta morder-lhe o calcanhar.
Torce-se em vão, enrosca-se sobre si mesma; cada vez mais fortemente, o pé da Virgem a esmaga.
“Horror! Vergonha! Estamos vencidos!” — urra todo o inferno. “A viúva do carpinteiro triunfou de nós; era ela a Virgem predita. Este Jesus é o seu filho e o filho de Deus.”
Tal é o estratagema divino de Deus, e a parte importante que nele tomou São José.