Jesus. Filho, quando Eu vivia entre os homens, admiravam-se e enchiam-se de pasmo ao ver-Me tratar a todos e a cada um com tão grande simplicidade. Mas isso era o segredo do meu Coração. Sendo ele simples, amava a Deus e nesse amor tudo incluía. Amava um só em todos e todos em um.
Essa simplicidade do meu Coração, manifestada por Mim aos homens, era a imagem do meu Espírito, amor indivisível, que se ocupava de muitos, permanecendo sempre uno.
No mesmo Espírito amava Deus e os homens. Considerava as misérias e as prosperidades humanas. Afastava o mal e promovia o bem. Executava várias obras, suportando pessoas de índole e disposições diversas, passando sem alteração por múltiplas e diferentes circunstâncias. Tudo fazia com o mesmo Espírito.
Tão suave virtude causava admiração aos homens. Nunca tinham visto nem sequer concebido tanta simplicidade aliada a tão grande dignidade, afabilidade tão invariável unida a tão maravilhoso poder.
De fato, não se encontrava em Mim duplicidade ou fingimento, nem elevada afetação nas palavras ou artificioso modo de proceder.
A todos se evidenciava a simples candura de minha alma, cujo procedimento era como o espelho da sinceridade do meu Coração.
(…)
Por conseguinte, é no meu Coração, centro do amor, que deves considerar e amar a todos.
Quem considera o próximo fora do meu Coração, facilmente divide o próprio coração em vários afetos meramente naturais ou o predispõe por motivos e razões em parte humanas.
(…)
Sê, portanto, simples ao ver e considerar os atos do próximo, e não dividas teu coração, julgando temerariamente.
Quem te estabeleceu juiz de teu próximo? De onde te provém o direito de condená-lo? Como ousas reprovar aquele a quem meu Coração protege, que és obrigado a amar com fraternal afeto, sendo ele talvez muito melhor do que tu aos meus olhos ou havendo de o ser por toda a eternidade?
Não tens desculpa, filho, se fazes juízo temerário. Quando julgas a outrem, não é a ti mesmo que condenas? Pelo fato de o julgares temerariamente, tornas-te tu mesmo culpado.
Não confundas, entretanto, a sugestão com a suspeita, ou a suspeita com o julgamento. A sugestão é uma instigação do inimigo que, por não depender da vontade humana, não é culpável, quando não se lhe dá voluntário consentimento. Que é a suspeita senão reputar e ter alguma coisa na conta de provável ou verossímil, em consequência de motivos duvidosos e leves indícios? Quanto ao julgamento, consiste em afirmar e crer alguma coisa como certa, com suficiente razão.
Por conseguinte, havendo suficiente motivo para suspeitar ou julgar, tal suspeita e juízo não são temerários nem culpáveis.
Se faltar motivo suficiente para suspeita ou juízo, sem, todavia, notarmos esta ausência de fundamento, o erro é invencível e inocente.
Se, entretanto, tiveres outras pessoas a teu cargo, não só é lícito, porém necessário suspeitares de teus súditos, quando houver sinais prováveis de culpa, a fim de afastares com prudência o mal percebido.
Ademais, filho, sejam quais forem os sinais, palavras ou atos notados no próximo, procura dar-lhes a interpretação mais favorável. Desculpa-o, se houver motivo para isso. Em caso contrário, corrige-o com advertência caridosa ou sinal de reprovação, contanto que a prudência o permita e daí se espere seguro efeito.
Ó meu filho! A santa simplicidade proveniente da caridade não pensa mal nem se aflige de enganar-se, quando em sua inocência pensa bem mesmo do mal.
(…)
Discípulo. Sois, ó Senhor, o modelo e o exemplar da perfeita simplicidade! Oxalá me assemelhe a Vós!
Ó Jesus, amor puríssimo! Simplificai meu coração, para que se aproxime de vossa simplicidade, quanto é dado a uma criatura, amando só a Vós em tudo e tudo em Vós.
Simplificai meu espírito, libertando-o de vários e falsos princípios do mundo, assim como do amor próprio, e preservando-o de toda má suspeita e juízo temerário, a fim de ser guiado só por Vós na verdade, quando se tratar de coisas certas, e na caridade, quando os fatos forem duvidosos.
Simplificai-me todo, interior e exteriormente, para que, alcançando a unidade, seja sempre e em toda parte o mesmo, deduzindo todas as coisas só de Vós e a Vós só tudo referindo, que sois de todos o princípio e o fim.
Esta meditação encontra-se no livro Imitação do Sagrado Coração de Jesus, do Pe. Pedro Arnoudt, S.J., disponível em nosso site.
Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.
Comunhão Espiritual
(De Santo Afonso Maria de Ligório)
Meu Jesus, eu creio que estais presente no Santíssimo Sacramento do altar. Amo-Vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo; uno-me convosco inteiramente. Ah! Não permitais que torne a separar-me de Vós. Ó Jesus, sumo Bem e doce amor meu, vulnerai e inflamai meu coração, a fim de que esteja abrasado em vosso amor para sempre. Amém.1
É possível encontrar essa oração no Manual do Devoto de Santa Teresinha, disponível em nosso site e nas demais publicações de nossa editora.
- 60 dias de indulgência, cada vez no dia. ↩︎
Quem poderá mensurar a grandeza da alegria e da satisfação do glorioso São José ao dedicar toda a sua vida aos cuidados de Jesus e Maria? Se, para um simples pai de família, já é motivo de grande júbilo trabalhar para sustentar o filho, vê-lo crescer sob seu afeto, autoridade e proteção, quais não terão sido os sentimentos do humilde carpinteiro de Nazaré ao contemplar, dia após dia, o crescimento do próprio Filho de Deus sob o mesmo teto, confiado à sua paternidade?
Meditemos tão magnífico mistério por meio do texto a seguir, extraído do capítulo nono, intitulado “Ocupações em Nazaré”, do livro Os Ensinamentos de Nazaré, do Pe. Júlio Maria de Lombaerde.
Enquanto Maria se entregava às ocupações ordinárias, de uma condição modesta, José, por sua vez, aplicava-se aos trabalhos da sua profissão, ganhando com seu labor quotidiano o sustento da pequena Família.
Que satisfação não devia experimentar, em seus trabalhos, o piedoso artífice! Quem dirá as consolações que sentia o humilde carpinteiro, quando tinha sob os olhos esta Divina Criança, por cujo amor se dedicava?
Como exultava, ao pensar que o preço dos seus suores era destinado a nutrir o Rei do Céu e a Mãe de Deus! Quem descreverá a emoção que dele se apoderava, quando via estes ilustres convivas sentados com ele à pobre mesa? Oh! Que alegria intensa e suave não sentia, quando, ao findar o dia, lhe era dado estreitar o Salvador em seus braços e receber as suas demonstrações de amor!
Ele se sentia, então, aliviado de todas as fadigas, e com usura recompensado de todos os sofrimentos.
Não teria trocado a sua sorte pela sorte dos Anjos.
Ó Maria! Ó José! Não se extasiava a vossa alma a este aspecto?… Que sentimentos, sobretudo, deviam agitar o vosso coração, cada vez que este Filho querido vos saudava com a sua voz doce e penetrante, chamando-vos Mãe ou Pai! Dizei-nos, dizei-nos, quais eram as vossas impressões, quando Jesus, sentado a vosso lado, vos testemunhava, com sua linguagem divina, a amizade que vos tinha e o reconhecimento que guardava por todas as vossas atenções!
Oh! Os próprios Anjos seriam impotentes para nos dar uma ideia.
Prezados leitores, o “Pequeno exorcismo de Leão XIII” é uma oração composta pelo Papa Leão XIII em 1884, após uma terrível visão, e prescrita a todos os padres para que rezassem ao final da Missa a partir de 1886.
Cabe ressaltar que essa oração não substitui o Exorcismo Solene da Igreja. Pode, no entanto, ser rezada em caráter privado e é uma grande arma de auxílio contra as tentações que se apresentam ao longo de nossa caminhada espiritual.
É possível encontrá-la em diversos devocionários publicados por nossa editora.
Rezemos:
Pequeno Exorcismo de Leão XIII
Sancte Michael Archangele, defende nos in prœlio, contra nequitiam et insidias diaboli esto præsidium. Imperet illi Deus, suplices deprecamur: tuque, Princeps militiæ cælestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.
℣. Cor Jesu Sacratissimum. (3x)
℟. Miserere nobis.
São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demônio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Amém.
℣. Coração Sacratíssimo de Jesus. (3x)
℟. Tende misericórdia de nós.
Prezados leitores, com alegria compartilhamos com vocês um trecho do capítulo VIII, intitulado “Já é o Céu”, do livro Belém, último tratado do padre Frederick William Faber, traduzido pela primeira vez e publicado pela Editora Domus Aurea.
De modo profundo e poético, o padre Faber nos convida a contemplar as alegrias da Sagrada Infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-nos a considerar como o seu Coração de Menino pôde conhecer tais alegrias em meio a uma infância tão misteriosamente marcada pelo sofrimento. Meditemos, com atenção e reverência, tão grande realidade:
Agora, enquanto está deitado no colo de Maria, o que Ele vê que ilumina tanto os seus olhos?
Também nós passamos diante d’Ele, um a um, peregrinos cobertos de poeira, e seus olhos nos seguem, observam-nos longamente; e nos conhecerão novamente e sorrirão para nós como se fôssemos velhos conhecidos, quando as eras nebulosas tiverem chegado ao presente e nos colocarem diante d’Ele mais uma vez, em nossa peregrinação atual, embora Ele sempre tenha pensado em cada um de nós durante todas essas eras nebulosas. Ele vê nossas conversões, nossos esforços, nossa Fé, nossas esperanças trêmulas, nosso amor timidamente aspirante e nossa perseverança, se for o caso, prevista. Ele já ouve nossas orações à distância, tal como o bater do relógio da aldeia à noite no vale do outro lado da montanha. Em tudo isto há uma vívida alegria para Ele. Todos os dias, ao caminharmos de manhã à noite, atravessando mais uma passagem da vida, que nos é medida por esse supervisor1 de Deus cuja luz nos chama ao trabalho e nos mantém no nosso tempo; que pensamento repreensivo, encorajador ou meditativo, conforme a nossa escolha, deve nos acompanhar, ao considerarmos que nós realmente entramos nas alegrias do Menino de Belém, formamos uma parte dessas alegrias e enviamos para elas um novo afeto!
(…)
Verbo do Pai, quem descreverá, como deve ser descrito, qualquer uma das mais terrenas dessas vossas alegrias?
Tudo isto não é mais do que uma ou duas gotas concebíveis do oceano das alegrias d’Ele, concebidas por uma das menores de suas criaturas, em um recanto obscuro da sua criação. No entanto, é nessas suas alegrias eternas que Ele, pelo seu amor salvador, nos fará entrar quando, com um sorriso, como um daqueles que mostra agora para o rosto de Maria, nos colocar em segurança eterna, redimidos e sem culpa, aos Pés do Pai. Oh! vida exausta, esmaecida e desgastada antes que a areia da ampulheta chegue à metade! Quem não gostaria que essa hora chegasse, e que nossa alma estivesse deitada, ofegante, maravilhada, recém-chegada em seu ninho aos Pés do Pai, ainda tremendo com a surpresa de seu primeiro voo eterno?
- O autor se refere ao sol. (N. do R.) ↩︎
Prezados leitores, nos lembra o Apóstolo São Paulo, em sua Carta aos Filipenses, acerca da necessidade de cultivar a humildade: “Por isso, tende em vós os mesmos sentimentos que houve também em Cristo Jesus.”
Tendo diante dos olhos essa máxima, apresentamos em nosso blog a Ladainha da Humildade, comumente atribuída ao Cardeal Merry del Val, secretário de Estado do Vaticano durante o pontificado de São Pio X, que tinha o piedoso costume de recitá-la após a Santa Missa. Essa oração encontra-se presente em nosso devocionário Escudo Admirável, bem como em outras publicações de nossa editora.
Rezemos sempre essa oração com espírito contrito, atentos a acompanhar com o coração aquilo que professamos com os lábios.
Ladainha da Humildade
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Jesus manso e humilde de coração, ouvi-nos.
Jesus manso e humilde de coração, atendei-nos.
Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao vosso.
Do desejo de ser estimado, livrai-me, ó Jesus.
Do desejo de ser amado,
Do desejo de ser conhecido,
Do desejo de ser honrado,
Do desejo de ser louvado,
Do desejo de ser preferido,
Do desejo de ser consultado,
Do desejo de ser aprovado,
Do receio de ser humilhado,
Do receio de ser desprezado,
Do receio de sofrer repulsas,
Do receio de ser caluniado,
Do receio de ser esquecido,
Do receio de ser ridicularizado,
Do receio de ser difamado,
Do receio de ser objeto de suspeita,
Que os outros sejam amados mais do que eu, Jesus, dai-me a graça de desejá-lo.
Que os outros sejam estimados mais do que eu,
Que os outros possam elevar-se na opinião do mundo e que eu possa ser diminuído,
Que os outros possam ser escolhidos e eu posto de lado,
Que os outros possam ser louvados e eu desprezado,
Que os outros possam ser preferidos a mim em todas as coisas,
Que os outros possam ser mais santos do que eu, embora me torne o mais santo quanto me for possível,
Ó Maria, Mãe dos humildes, rogai por nós.
São José, protetor das almas humildes,
São Miguel, que fostes o primeiro a lutar contra o orgulho e o primeiro a abatê-lo,
São Francisco, imitador de um Mestre manso e humilde,
Ó justos todos, santificados a partir do espírito de humildade,
Oremos: Ó Deus, que através dos ensinamentos e do exemplo do vosso Filho Jesus, apresentastes a humildade como chave que abre os tesouros da graça e como fundamento de todas as outras virtudes — caminho certo para o Céu —, concedei-nos, por intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria, a mais humilde e a mais santa de todas as criaturas, aceitar, agradecendo, todas as humilhações que a vossa Divina Providência nos oferecer. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Prezados leitores, acerca de São Francisco de Sales dizia Monsenhor Ascânio Brandão:
“São Francisco de Sales é um mestre admirável na arte de curar e aliviar as feridas da alma. Fazei, nas aflições, uma boa leitura de São Francisco de Sales. Que alívio tereis!”
Eis que apresentamos, em nossa página, uma consoladora e edificante meditação deste insigne Doutor da Caridade, extraída de sua célebre obra Introdução à Vida Devota (Filotéia). Que essas palavras sirvam de luz e consolo diante de nossas ocupações e inquietações, especialmente quando buscamos o bom êxito de nossas obras.
Deve-se tratar dos negócios com muito cuidado, mas sem inquietação nem ansiedade
Grande diferença há entre os cuidados dos negócios e a inquietação, entre a diligência e a ansiedade. Os Anjos procuram a nossa salvação com o maior cuidado que podem, porque isto é segundo a sua caridade e não é incompatível com a sua tranquilidade e paz celestial; mas, como a ansiedade e a inquietação são inteiramente contrárias à sua bem-aventurança, nunca as têm por nossa salvação, por maior que seja o seu zelo.
Dedica-te, Filotéia, aos negócios que estão ao teu encargo, pois Deus, que os confiou a ti, quer que cuides deles com a diligência necessária; mas, se é possível, nunca te entregues ao ardor excessivo e ansiedade. Toda inquietação perturba a razão e nos impede de fazer bem aquilo mesmo por que nos inquietamos.
Repreendendo Nosso Senhor a Santa Marta, lhe disse: Marta, Marta, tu andas muito inquieta e te embaraças com o cuidar em muitas coisas. Toma sentido nestas palavras, Filotéia. Se ela tivesse tido um cuidado razoável, não se teria perturbado; mas ela muito se inquietava e perturbava e foi esta a razão por que Nosso Senhor a repreendeu. Os rios que coleiam suave e tranquilamente através dos campos levam grandes botes com ricas mercadorias, e as chuvas brandas e moderadas dão fecundidade à terra; ao passo que os rios e torrentes, que se precipitam em borbulhões, arruínam e desolam tudo, sendo inúteis ao comércio, e as chuvas tempestuosas assolam os campos e os prados. Na verdade, obra alguma feita com precipitação saiu jamais bem feita.
(…)
Em todos os teus negócios, confia unicamente na Providência Divina, que só lhes pode dar um bom êxito. Age, no entanto, de teu lado, com uma aplicação razoável e prudência, para trabalhares sob a sua direção. Depois disso, crê-me que, se confias em Deus, o resultado será sempre favorável a ti, seja que o pareça ou não ao juízo de tua prudência.
Na conservação e aquisição dos bens terrestres, imita as crianças que, segurando-se com uma mão na mão de seu pai, com a outra se divertem em colher frutos e flores; quero dizer que te deves conservar continuamente debaixo da dependência e proteção de teu Pai celeste, considerando que Ele te segura pela mão, como diz a Sagrada Escritura, para te conduzir felizmente ao termo de tua vida e volvendo de tempos em tempos os olhos para Ele, a ver se tuas ocupações Lhe são agradáveis. Toma principalmente cuidado que a cobiça de ajuntar maiores bens não te faça largar a sua mão e negligenciar a sua proteção, porque, se Ele te abandonar, não poderás mais dar um passo sequer que não caias com o nariz no chão.
Assim, Filotéia, nas ocupações ordinárias que exigem muita atenção, pensa mais em Deus que em teus negócios e, se forem de tal importância que ocupem toda a tua atenção, nunca deixes de levantar de vez em quando os olhos para Deus, como os navegantes que, para dirigirem o navio, mais olham para o céu que para o mar. Fazendo assim, Deus trabalhará contigo, em ti e por ti e teu trabalho te trará toda a consolação que dele esperas.
Prezados leitores, propomos a seguir uma breve e fervorosa oração de ação de graças, a ser rezada após a Santa Comunhão. Ela se encontra em nosso devocionário Adoremus e nos demais disponíveis em nosso site.
Rezemos:
Oração diante da imagem do Crucifixo
Eis-me aqui, ó meu bom e dulcíssimo Jesus! De joelhos, me prostro em vossa divina presença, e com o maior fervor de minha alma Vos rogo e suplico, que Vos digneis de imprimir em meu coração os mais vivos sentimentos de fé, esperança e caridade, e de uma verdadeira penitência de meus pecados, assim como uma vontade inabalável de emendar-me deles. Isto Vos peço ao mesmo tempo que, com o maior afeto e dor, considero comigo mesmo e contemplo no meu interior vossas Cinco Chagas, tendo diante dos olhos aquilo, ó bom Jesus, que já punha em vossa boca a respeito de Vós o profeta Davi: “Traspassaram minhas mãos e meus pés; contaram todos os meus ossos.”1
- Indulgência plenária nas condições ordinárias para quem rezar esta oração diante da imagem do Crucifixo, depois da Comunhão. ↩︎
Prezados leitores, convidamos vocês a meditar um dos relatos mais comoventes dedicados ao glorioso Santo Antônio. Homem de exímias virtudes, nosso taumaturgo foi um grande devoto do Sagrado Coração de Jesus, íntimo amigo do Menino Deus e discípulo muito amado de São Francisco de Assis, que, em sinal de profundo afeto e estima espiritual, chegou a chamá-lo de “meu bispo”.
O relato que apresentamos a seguir encontra-se na obra Florinhas de Santo Antônio, disponível em nosso site. Ao final, o leitor encontrará também uma breve e piedosa oração ao Deus-Menino nos braços de Santo Antônio, extraída de nosso devocionário dedicado ao santo, o Manual de Santo Antônio.
Confira a seguir
Como certo fidalgo viu a Santo Antônio abraçado ao dulcíssimo Menino e Senhor Nosso Jesus Cristo
Quando, certa vez, Santo Antônio entrou numa cidade em serviço de pregação, o senhor fidalgo que lhe deu pousada reservou-lhe aposentos retirados, a fim de não o perturbarem no estudo e oração.
Ora, estava o Santo recolhido e só em seus aposentos, quando o senhor fidalgo, discorrendo pela casa a tratar da sua vida, adregou passar perto e, levado por devota curiosidade, espreitou para dentro, às escondidas, por uma fresta que abria mesmo no lugar onde o Santo descansava. E o que hão de ver seus olhos! Um Menino mui formoso e alegre, nos braços de Santo Antônio, e o Santo a contemplar-Lhe o rosto, a apertá-Lo ao peito e a cobri-Lo de beijos.
Ficou maravilhado o fidalgo com a formosura do Menino, e todo se espantava, não atinando como explicar donde teria vindo para ali criança tão graciosa e tão bela.
E o Menino, que outro não era senão o Senhor Jesus, revelou a Santo Antônio que seu hospedeiro o estava espreitando.
Pelo que Santo Antônio, depois de findar a longa oração, chamou o senhor fidalgo e, humildemente, lhe pediu e instou que, enquanto ele vivo fosse, a ninguém revelasse a visão que espreitara.
E só depois da morte do Santo, o senhor fidalgo, com lágrimas santas, contou o milagre que seus olhos indiscretos haviam contemplado. Em louvor de Cristo. Amém.
Oração a Deus-Menino nos braços de Santo Antônio
Ó meu amabilíssimo Jesus, todo suavidade e bondade, que Vos dignastes de aparecer ao glorioso Santo Antônio na forma de menino e descansastes nos seus braços, a fim de testemunhar-lhe o vosso amor, eu Vos adoro com todos os afetos do meu coração. Desejo amar-Vos tão ardentemente como Santo Antônio na sua vida.
Para recompensar este amor, que este servo fiel Vos consagrou, lhe aparecestes visivelmente, descendo aos seus braços e comunicando-lhe naquele momento venturoso um antegosto das alegrias celestes.
Por aquele amor, que consagrastes a Santo Antônio, ouvi, meu bom Jesus, minhas súplicas. A Vós nada é impossível. Purificai cada vez mais a minha alma, a fim de receber-Vos sempre dignamente na Sagrada Comunhão.
Prendei pelos laços do amor divino o meu coração tão firmemente ao vosso, que nada neste mundo seja capaz de separar-me de Vós. Fazei que, de hoje em diante, eu ache a minha consolação mais suave, a minha alegria em amar-Vos de todo o coração, de toda a minha alma, com todas as forças no tempo e na eternidade.
Prezados leitores, é bem verdade que, nesta vida — neste vale de lágrimas — há dores comuns a todas as almas, que nos flagelam o coração mais cedo ou mais tarde, entre elas a dor da perda de alguém que muito amamos. Nossa Senhora, a Virgem Mãe lacrimosa, também não foi isenta dessa realidade: primeiro, ao separar-se do seu castíssimo esposo, São José; depois, ao se ver durante três dias sem o seu amado Jesus.
No entanto, ao ressurgir da morte, Nosso Senhor nos abre as portas do Céu e, com elas, nos revela uma feliz realidade: tornaremos a ver aqueles que nos foram queridos e juntos gozaremos da bem-aventurança eterna na presença de Deus, se, pela graça, permanecermos fiéis a Ele.
Por isso, trazemos em nossa página uma breve e consoladora oração, extraída do nosso livro No Céu nos Reconheceremos, para que possamos reencontrar, na bem-aventurança, aqueles que nos foram caros.
Rezemos:
Oração a Nosso Senhor Jesus Cristo
Divino Jesus, que pusestes em vosso Coração todas as nossas legítimas afeições para abençoá-las e santificá-las, e Vos dignastes gozar das alegrias da piedade filial e mesmo dar aos homens o doce nome de amigo: onde estão agora, Senhor, estes meus amigos e parentes? Estão no Céu, junto de Vós e de vossa Mãe muito amada, a quem reconheceis como ela Vos reconhece? Ah! Quanto desejo, eu também, reconhecer minha mãe na glória celeste e ser por ela reconhecido, torná-la a ver com meu pai e meus irmãos, e tornar a ver juntamente todos os meus parentes e amigos!
Ó Deus de amor, Deus do tabernáculo e da Santa Mesa, cujo Corpo nos reúne num mesmo banquete neste mundo e guarda as nossas almas para a vida eterna, guardai, guardai também todos os membros da minha alma, todos os membros do meu coração, isto é, todas as pessoas que amo; guardai-as para a vida, guardai-as para a eternidade, e fazei que nos encontremos todos no banquete dos Céus. Fazei, sobretudo, que aí encontre a alma que me era especialmente querida. Que ela e eu nos reconheçamos, que eu saiba tudo o que ela faz em segredo por mim, e que lho agradeça eternamente na Pátria dos bem-aventurados. Assim seja.