Jesus. Filho, quando Eu vivia entre os homens, admiravam-se e enchiam-se de pasmo ao ver-Me tratar a todos e a cada um com tão grande simplicidade. Mas isso era o segredo do meu Coração. Sendo ele simples, amava a Deus e nesse amor tudo incluía. Amava um só em todos e todos em um.
Essa simplicidade do meu Coração, manifestada por Mim aos homens, era a imagem do meu Espírito, amor indivisível, que se ocupava de muitos, permanecendo sempre uno.
No mesmo Espírito amava Deus e os homens. Considerava as misérias e as prosperidades humanas. Afastava o mal e promovia o bem. Executava várias obras, suportando pessoas de índole e disposições diversas, passando sem alteração por múltiplas e diferentes circunstâncias. Tudo fazia com o mesmo Espírito.
Tão suave virtude causava admiração aos homens. Nunca tinham visto nem sequer concebido tanta simplicidade aliada a tão grande dignidade, afabilidade tão invariável unida a tão maravilhoso poder.
De fato, não se encontrava em Mim duplicidade ou fingimento, nem elevada afetação nas palavras ou artificioso modo de proceder.
A todos se evidenciava a simples candura de minha alma, cujo procedimento era como o espelho da sinceridade do meu Coração.
(…)
Por conseguinte, é no meu Coração, centro do amor, que deves considerar e amar a todos.
Quem considera o próximo fora do meu Coração, facilmente divide o próprio coração em vários afetos meramente naturais ou o predispõe por motivos e razões em parte humanas.
(…)
Sê, portanto, simples ao ver e considerar os atos do próximo, e não dividas teu coração, julgando temerariamente.
Quem te estabeleceu juiz de teu próximo? De onde te provém o direito de condená-lo? Como ousas reprovar aquele a quem meu Coração protege, que és obrigado a amar com fraternal afeto, sendo ele talvez muito melhor do que tu aos meus olhos ou havendo de o ser por toda a eternidade?
Não tens desculpa, filho, se fazes juízo temerário. Quando julgas a outrem, não é a ti mesmo que condenas? Pelo fato de o julgares temerariamente, tornas-te tu mesmo culpado.
Não confundas, entretanto, a sugestão com a suspeita, ou a suspeita com o julgamento. A sugestão é uma instigação do inimigo que, por não depender da vontade humana, não é culpável, quando não se lhe dá voluntário consentimento. Que é a suspeita senão reputar e ter alguma coisa na conta de provável ou verossímil, em consequência de motivos duvidosos e leves indícios? Quanto ao julgamento, consiste em afirmar e crer alguma coisa como certa, com suficiente razão.
Por conseguinte, havendo suficiente motivo para suspeitar ou julgar, tal suspeita e juízo não são temerários nem culpáveis.
Se faltar motivo suficiente para suspeita ou juízo, sem, todavia, notarmos esta ausência de fundamento, o erro é invencível e inocente.
Se, entretanto, tiveres outras pessoas a teu cargo, não só é lícito, porém necessário suspeitares de teus súditos, quando houver sinais prováveis de culpa, a fim de afastares com prudência o mal percebido.
Ademais, filho, sejam quais forem os sinais, palavras ou atos notados no próximo, procura dar-lhes a interpretação mais favorável. Desculpa-o, se houver motivo para isso. Em caso contrário, corrige-o com advertência caridosa ou sinal de reprovação, contanto que a prudência o permita e daí se espere seguro efeito.
Ó meu filho! A santa simplicidade proveniente da caridade não pensa mal nem se aflige de enganar-se, quando em sua inocência pensa bem mesmo do mal.
(…)
Discípulo. Sois, ó Senhor, o modelo e o exemplar da perfeita simplicidade! Oxalá me assemelhe a Vós!
Ó Jesus, amor puríssimo! Simplificai meu coração, para que se aproxime de vossa simplicidade, quanto é dado a uma criatura, amando só a Vós em tudo e tudo em Vós.
Simplificai meu espírito, libertando-o de vários e falsos princípios do mundo, assim como do amor próprio, e preservando-o de toda má suspeita e juízo temerário, a fim de ser guiado só por Vós na verdade, quando se tratar de coisas certas, e na caridade, quando os fatos forem duvidosos.
Simplificai-me todo, interior e exteriormente, para que, alcançando a unidade, seja sempre e em toda parte o mesmo, deduzindo todas as coisas só de Vós e a Vós só tudo referindo, que sois de todos o princípio e o fim.
Esta meditação encontra-se no livro Imitação do Sagrado Coração de Jesus, do Pe. Pedro Arnoudt, S.J., disponível em nosso site.
Jesus manso e humilde de coração, fazei o nosso coração semelhante ao Vosso.
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