Certamente deve ser com intensa reverência que nos aproximamos do Corpo de Menino de Nosso Senhor para contemplá-lo, não com uma curiosidade descuidada, mas com um amor devoto e uma admiração que, para Sua honra, anseia por se tornar cada vez mais inteligente.

(…)

Devemos considerar a primorosa delicadeza do Seu Corpo. Foi formado pelo Espírito Santo, e traz na sua formação as marcas da complacência peculiar dessa Pessoa Divina. Foi formado pelo sangue puríssimo de Maria, que nunca sofreu as pulsações do pecado, sobre o qual o reino das trevas nunca teve nem sequer a sombra de uma reivindicação, pois esteve, desde o início, sob a ampla luz da graça mais preciosa de Deus. 

Seu Precioso Sangue foi uma bela emanação de uma fonte já incomparavelmente bela em si mesma, devido à sua extrema pureza. Todas as obras de Deus são irrepreensíveis em sua adequação, quaisquer que sejam outras imperfeições que Ele tenha desejado deixar, como que inevitavelmente ligadas à sua natureza criada. O Corpo de Jesus foi criado como uma morada adequada para Sua Alma; e já vimos como era grande a dignidade dessa Alma na afeição de Deus.

 Ele foi formado também para sofrer intensamente, a fim de realizar a grande obra da nossa redenção. Desse modo, as suas sensibilidades foram aceleradas e refinadas, e todas as suas capacidades de sentir tornaram-se ampliadas, ativas, rápidas e aguçadas, com o poder de comunicar comoções de uma intensidade que mal poderíamos compreender.

Também não devemos esquecer que Seu Corpo foi formado para suportar, sem colapsar, torrentes impetuosas de glória. Aquela pequena estrutura infantil, branca como uma gota de neve no colo do inverno, leve quase como um floco de neve no ar frio da noite, suave como o monte de neve almofadado que o vento espalhou levemente para fora dos muros de Belém, está neste momento guardando dentro de si, como se fosse de pedra diamantina, as chamas da luz beatífica, o oceano estupendo da Visão poderosa, o jogo gigantesco das coisas eternas que vão e vêm e vivem dentro de sua Alma. 

Uma Pessoa, onipotente e infinita, está sentada dentro dessas paredes brancas de mármore carnal, e elas nem sequer vibram com essa maravilhosa presença interior.


Por Padre Frederick William Faber em Belém. Esta obra está disponível em nosso site.

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