São Francisco amava profundamente as criaturas. Mas esse amor tinha uma razão muito concreta: em cada criatura, ele reconhecia a obra e a bondade do Criador.
No Cântico do Sol, o sol, a lua, a água e o fogo aparecem para uma finalidade: louvar a Deus.
O Cântico do Sol e a salvação das almas
Mas o mesmo Cântico do Sol mostra que, para o santo, a salvação das almas era de enorme importância.
Ele adverte: “Infelizes os que morrem em pecado mortal!” Seu amor pelas criaturas nunca estava separado do destino eterno do homem.
Ele chegou a escrever: “Tu O crucificaste e ainda O crucificas, deleitando-te em vícios e pecados.”
A pobreza e a penitência de São Francisco
Filho de um rico comerciante, renunciou publicamente à herança diante do Bispo. Depois disso, viveu na pobreza, pedindo pão de porta em porta.
Sua vida espiritual também estava longe de ser confortável. Jejuava, fazia penitência, usava cilícios, flagelava o próprio corpo. Tudo para dominar as paixões e conformar-se a Cristo.
E foi assim que a antiga piedade católica aprendeu a invocá-lo: Coluna da Igreja. Defensor da Fé. Martelo dos hereges. Apóstolo dos infiéis.
É com esse espírito de louvor e reverência ao Criador que somos convidados a rezar o Cântico das Criaturas. Apresentamos abaixo essa oração de São Francisco, tal como se encontra no Devocionário a São Francisco de Assis, publicado pela Domus Aurea.
Cântico das Criaturas ou cântico do Irmão Sol: texto completo
Altíssimo, Onipotente, bom Senhor!
A Ti pertencem a glória, a honra e o louvor;
Só a Ti, Altíssimo, todas as bênçãos se hão de dar,
Embora nenhum homem seja digno de Te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor, por todas as tuas criaturas,
Especialmente pelo nosso irmão sol,
O qual, com a sua luz, preside aos nossos dias,
E que, como Tu, Senhor, é belo e radiante,
E de grande esplendor.
Louvado sejas, meu Senhor, pelas nossas irmãs,
a lua e as estrelas,
Que resplandecem no céu, belas e preciosas,
Cheias de claridade.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento,
E pelo ar tranquilo,
Que serve em todo o tempo,
Ou nublado, ou sereno,
E pelo espaço imenso,
Em cujo seio todas as coisas se acomodam.
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã água,
Tão útil, e humilde, e preciosa, e casta.
Louvado sejas, meu Senhor, pelo nosso irmão fogo,
O belo e jucundo, o vigoroso e forte,
Iluminador de nossas noites.
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa mãe terra,
Que nos sustenta e ampara,
Que produz os frutos diversos,
E as flores coloridas,
E as ervas.
Louvado sejas, meu Senhor, por todos aqueles
Que, por amor de Ti, perdoam aos seus inimigos,
E por aqueles que suportam com paciência a
enfermidade e as tribulações.
Bem-aventurados os que sofrem em paz,
Porque estes serão coroados pelo Altíssimo!
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal,
À qual nenhum homem vivo pode escapar.
Infelizes os que morrem em pecado mortal!
Bem-aventurados os que cumprem até o fim as tuas santíssimas vontades,
Porque não sofrerão a morte eterna!
Louvado e bendito sejas, meu Senhor, pelas tuas criaturas;
E que todas Te rendam graças,
E Te sirvam com muita humildade.
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