Queridos leitores, vocês já repararam que quando rezamos o Pai-Nosso dizemos: “perdoai-nos as nossas ofensas”? É uma oração que aprendemos desde pequenos, mas será que é essa, de fato, a tradução mais fiel às palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo?

A resposta, quando buscamos o texto original do Evangelho, pode transformar sua forma de rezar. No texto original do Evangelho de São Mateus a palavra utilizada por Jesus Cristo não é ofensas, Ele diz: “perdoai-nos as nossas dívidas.” A palavra-chave aqui é dívidas. Pode parecer uma pequena diferença, mas o significado para a nossa vida cristã é enorme.

Pense assim: quando pecamos, não só ofendemos a Deus, mas também criamos uma dívida espiritual. Na confissão acontece algo maravilhoso: pela imensa misericórdia de Deus, o padre perdoa a ofensa, limpando a nossa alma, no entanto, a dívida, que é o dano causado pelo pecado, ainda precisa ser reparada. É uma questão de justiça e de restauração da ordem que quebramos. Imagine duas crianças jogando bola e sem querer quebram a janela do vizinho. Elas se arrependem, pedem desculpas sinceramente e são perdoadas, mas embora o relacionamento seja restaurado, a janela continua quebrada e o dano precisa ser consertado.

Com nossos pecados, acontece o mesmo. Somos perdoados na confissão, mas precisamos reparar o dano causado. Como fazemos isso? Através da penitência, da oração, das obras de caridade. Se não repararmos as nossas dívidas aqui na terra, a Igreja nos ensina que haverá a purificação no Purgatório. Por isso, ao rezar o Pai-Nosso, estamos pedindo a Deus não apenas o perdão pela ofensa, mas também a graça e a força para reparar as dívidas que temos com Ele e com nossos irmãos. Então, ao rezarmos “perdoai-nos as nossas dívidas”, a nossa oração se torna mais completa e verdadeira.

É exatamente essa visão clara e tradicional que norteia todos os devocionários da Editora Domus Aurea. Ao optar conscientemente pela tradução “dívidas” e “devedores”, nossos devocionários retornam à fonte, à teologia perene da Igreja, à forma como os santos compreenderam e rezaram o Pai-Nosso ao longo dos séculos. Cada página é pensada não apenas para acompanhar a sua oração, leitor, mas para educar sua consciência, formar sua inteligência espiritual e ajudá-lo a viver a fé com seriedade e amor à verdade.

Então pegue agora seu Adoremus, Escudo Admirável ou qualquer outro devocionário da nossa editora e reze como a Igreja sempre rezou: “perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores.”

Uma resposta para “Pai-Nosso: dívidas ou ofensas?”

  1. Paloma Souza Silva disse:

    Perfeito!

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