Prezados leitores, com alegria compartilhamos com vocês um trecho do capítulo VIII, intitulado “Já é o Céu”, do livro Belém, último tratado do padre Frederick William Faber, traduzido pela primeira vez e publicado pela Editora Domus Aurea.
De modo profundo e poético, o padre Faber nos convida a contemplar as alegrias da Sagrada Infância de Nosso Senhor Jesus Cristo, levando-nos a considerar como o seu Coração de Menino pôde conhecer tais alegrias em meio a uma infância tão misteriosamente marcada pelo sofrimento. Meditemos, com atenção e reverência, tão grande realidade:
Agora, enquanto está deitado no colo de Maria, o que Ele vê que ilumina tanto os seus olhos?
Também nós passamos diante d’Ele, um a um, peregrinos cobertos de poeira, e seus olhos nos seguem, observam-nos longamente; e nos conhecerão novamente e sorrirão para nós como se fôssemos velhos conhecidos, quando as eras nebulosas tiverem chegado ao presente e nos colocarem diante d’Ele mais uma vez, em nossa peregrinação atual, embora Ele sempre tenha pensado em cada um de nós durante todas essas eras nebulosas. Ele vê nossas conversões, nossos esforços, nossa Fé, nossas esperanças trêmulas, nosso amor timidamente aspirante e nossa perseverança, se for o caso, prevista. Ele já ouve nossas orações à distância, tal como o bater do relógio da aldeia à noite no vale do outro lado da montanha. Em tudo isto há uma vívida alegria para Ele. Todos os dias, ao caminharmos de manhã à noite, atravessando mais uma passagem da vida, que nos é medida por esse supervisor1 de Deus cuja luz nos chama ao trabalho e nos mantém no nosso tempo; que pensamento repreensivo, encorajador ou meditativo, conforme a nossa escolha, deve nos acompanhar, ao considerarmos que nós realmente entramos nas alegrias do Menino de Belém, formamos uma parte dessas alegrias e enviamos para elas um novo afeto!
(…)
Verbo do Pai, quem descreverá, como deve ser descrito, qualquer uma das mais terrenas dessas vossas alegrias?
Tudo isto não é mais do que uma ou duas gotas concebíveis do oceano das alegrias d’Ele, concebidas por uma das menores de suas criaturas, em um recanto obscuro da sua criação. No entanto, é nessas suas alegrias eternas que Ele, pelo seu amor salvador, nos fará entrar quando, com um sorriso, como um daqueles que mostra agora para o rosto de Maria, nos colocar em segurança eterna, redimidos e sem culpa, aos Pés do Pai. Oh! vida exausta, esmaecida e desgastada antes que a areia da ampulheta chegue à metade! Quem não gostaria que essa hora chegasse, e que nossa alma estivesse deitada, ofegante, maravilhada, recém-chegada em seu ninho aos Pés do Pai, ainda tremendo com a surpresa de seu primeiro voo eterno?
- O autor se refere ao sol. (N. do R.) ↩︎
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